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Morreu o homem que deu o corpo à ciência, descodificou o genoma humano e revolucionou a Medicina

John Craig Venter era um ex-combatente na guerra no Vietname que foi preso duas vezes, bioquímico, empresário e, acima de tudo, um visionário.

John Craig Venter, bioquímico e empresário norte-americano que dedicou parte da sua vida a descodificar o genoma humano, morreu ontem em San Diego, nos Estados Unidos, aos 79 anos. Segundo o New York Times, sofria de um cancro e encontrava-se hospitalizado.

John Craig Venter foi duas vezes considerado pela Time uma das pessoas mais influentes do mundo
John Craig Venter foi duas vezes considerado pela Time uma das pessoas mais influentes do mundo AP

O cientista, que em 2007 e 2008 foi considerado pela revista Time uma das pessoas mais influentes do mundo, ficou conhecido pelo seu trabalho e persistência na descodificação do genoma humano. Considerando que o programa governamental avançava de forma excessivamente lenta nesta área, John Craig Venter lançou a sua própria empresa, a Celera Genomics, e em 2000 anunciou ter conseguido sequenciar os primeiros genomas humanos. Mais tarde soube-se que o dador anónimo cujo genoma a Celera tinha sequenciado era ele próprio.

Esta descoberta, concluída em 2003, revolucionou a ciência e a Medicina, pois permitiu significativos avanços em diagnósticos de doenças raras, na compreensão de doenças genéticas, permitindo tratamentos mais eficazes e direcionados, além de um desenvolvimento de tecnologias de sequenciação de ADN mais rápidas e baratas, facilitando a análise genética em grande escala.

Foi uma 'revolução' que empolgou os cientistas pois, pela primeira vez, era possível ver todos os componentes genéticos de um organismo de vida livre, fornecendo aos microbiologistas um precioso manual do arsenal genético das bactérias. Também deu início a uma corrida para sequenciar os genomas de muitos agentes patogénicos conhecidos.

John Craig Venter nasceu em Salt Lake City e era filho de um mormon alcoólico, que morreu aos 59 anos. Embora fosse contra a guerra, acabou por se alistar na Marinha e foi para o Vietname, onde trabalhou numa enfermaria de um hospital de campo. Chegou a ser preso duas vezes durante a guerra, por desobediência.

Regressou a San Diego com a ideia de se formar em Medicina na Universidade da Califórnia, mas acabou por preferir a Bioquímica, obtendo mais tarde doutoramentos em fisiologia e farmacologia. 

Era o presidente do J. Craig Venter Institute, um centro de pesquisa focado em biologia sintética. Entre outros prémios, recebeu do presidente Barack Obama a Medalha Nacional de Ciências, em 2009.