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Linha de prevenção do suicídio precisa de voluntários

20 de fevereiro de 2018 às 16:21
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O número de apelos quase triplicou entre 2013 e 2016.

A linha de ajuda para prevenção do suicídio SOS Voz Amiga precisa com urgência de voluntários para conseguir assegurar as oito horas diárias de atendimento, disse hoje à agência Lusa o presidente do serviço.

Fundada há 39 anos, a SOS Voz Amiga foi a primeira linha telefónica em Portugal de apoio em situações agudas de sofrimento causadas pela solidão, ansiedade, depressão e risco de suicídio.

O número de apelos quase triplicou entre 2013 e 2016, passando de 1.271 para 3.701, mas baixou para 3.335 no ano passado devido à falta de voluntários, disse o presidente da SOS Voz Amiga.

"O total de chamadas em 2017 sofreu uma redução de cerca de 10% em relação a 2016 e o motivo é facilmente explicado pelo menor número de voluntários a atender, logo menos turnos efectuados", explicou Francisco Paulino.

Em 2017 apenas 70% dos turnos previstos foram preenchidos, lamentou Francisco Paulino, adiantando que, se o serviço tivesse conseguido garantir todos os turnos, "por extrapolação, as chamadas teriam ultrapassado as 4.500".

Neste momento, são apenas 17 voluntários que asseguram com "alguma dificuldade" o atendimento, disse.

"O que pretendemos fazer neste momento é uma campanha de forma a conseguirmos no mínimo 30 voluntários", um número que permitiria garantir "as oito horas diárias" e alargar o período para 12 horas, porque "o sofrimento não tem hora".

Todos os anos, o serviço faz pelo menos uma acção de formação, mas como se trata de "um voluntariado muito exigente, tanto em termos emocionais como na carga horária", muitos acabam por sair ao fim de algum tempo.

"Lidar com os dramas pessoais das pessoas pode ser muito exigente a nível emocional", além de que as pessoas têm as suas vidas.

Mas o atendimento também é "muito gratificante pela oportunidade" que dá aos voluntários de poderem fazer "a diferença pela positiva", ajudando "alguém em grande sofrimento" e evitando muitas vezes o seu suicídio.

Quem quiser ser voluntário pode candidatar-seno site, onde poderá encontrar a informação necessária.

O objectivo da linha é "a prevenção do suicídio", mas surgem apelos com situações diversas, como problemas de solidão, depressão, problemas familiares ou económicos.

Em 2017, a linha recebeu, em média, 278 chamadas por mês, a maioria (67%) feita por mulheres. A maior parte dos utentes tem entre 36 e 55 anos (46%).

As situações mais relatadas foram solidão/angústia (31%), doenças psíquicas, sobretudo depressão (22%), relações afectivas (9%) e relações familiares (9%)

Sete por cento das chamadas foram feitas por jovens até aos 25 anos, sendo as situações mais relatadas a automutilação, bullying, sexualidade e violência no namoro.

A ameaça de suicídio representou cerca de 5% das chamadas, sendo que destas 75% foram feitas por "pessoas com ideia de morte" e 15% por pessoas que já tinham "um plano de suicídio".

"Felizmente na maioria das situações, temos conseguido que o desenlace não se dê, disse Francisco Paulino.

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