Ordem. Enfermeiros de família podem garantir cuidados a utentes sem médico de família
Para Luís Filipe Barreira, "é urgente" uma reconfiguração das competências dos profissionais de saúde nos cuidados de saúde primários.
Para Luís Filipe Barreira, "é urgente" uma reconfiguração das competências dos profissionais de saúde nos cuidados de saúde primários.
A Ordem refere que a sua proposta assenta no respeito rigoroso pelas competências de cada profissão e coloca o médico de família no centro das equipas multidisciplinares.
Quatro Global de referência (QGR) do Serviço Nacional de Saúde publicado no ano passado apontava para um aumento da percentagem de utentes com médico de família atribuído, que passaria dos 86% em 2024 para 91% este ano e 98% em 2026.
Ana Rita Cavaco, ex-bastonária da Ordem dos Enfermeiros, reagiu com ironia à notícia de que a Ordem dos Médicos deu luz verde para que grávidas de baixo risco possam ser seguidas por enfermeiros especialistas nos centros de saúde, onde não têm médico de família. "Há anos que no SNS os enfermeiros fazem 80 a 90% dos partos normais", explica.
Nos centros de saúde onde não tenham médico de família.
Número de portugueses sem médico de saúde aumentou em outubro. Lisboa e Vale do Tejo continua a ser a região mais crítica.
Num parecer, o Colégio de Medicina Geral e Familiar (MGF) manifesta preocupação com a proposta que prevê a vigilância de grávidas sem médico de família por Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstétrica (EESMO).
Fnam sublinha que cada vaga corresponde a cerca de 1.600 utentes e que existem mais de 1,6 milhões de pessoas continuam sem médico de família.
Depois da redução entre agosto e dezembro de 2024, o número de utentes sem médico de família aumentou em perto de 30 mil nos primeiros três meses deste ano.
Segundo o regulador, entre os mais de 844 mil imigrantes inscritos nos CSP em 2023, apenas cerca de 419 mil (49,7%) tinham médico de família atribuído, uma taxa consideravelmente inferior aos 83,5% de todos os utentes inscritos a nível nacional.
Inquérito da DECO PROteste revela que os tempos de espera para consultar o médico de família ultrapassam os dois meses em 33% dos casos, quando deviam ser "15 dias", aponta perito.
A despesa de seis milhões de euros até ao final do ano para contratualizar as listas de utentes com o hospital representa "menos 24 euros por doente, em preço comparado, se fossem servidos por outras alternativas", refere o ministro Leitão Amaro.
Nos últimos meses os centros de saúde fizeram uma limpeza das listas o que fez com que o número de pacientes diminuísse, mas a tendência decrescente inverteu-se em abril.
Diminuição dos prazos na marcação de consultas de saúde familiar, inclusão da teleconsulta como uma alternativa ao atendimento presencial, e assegurar enfermeiro e médico de família foram os três eixos na saúde.
O maior número de pessoas sem este acompanhamento nos centros de saúde foi atingido em maio de 2023: 1,7 milhões.
Medida irá envolver mais 3.500 profissionais de saúde, que a partir do próximo ano passam a ter incentivos remuneratórios pelo seu trabalho.