Na seleção das obras a incluir nos documentos orientadores serão considerados os autores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), "um passo importante para o reconhecimento pleno da riqueza da nossa língua comum".
As aprendizagens essenciais de Português, atualmente em revisão, vão passar a incluir obras de autores de outros países da CPLP, anunciou esta terça-feira o Governo, que sublinha o "reconhecimento a todos os escritores de língua portuguesa".
Numa carta enviada aos homólogos da CPLP (co-assinada pelo MNE), Fernando Alexandre defende o "justo reconhecimento a todos os escritores de língua portuguesa".ESTELA SILVA/LUSA
Em comunicado, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) explica que na seleção das obras a incluir nos documentos orientadores, serão igualmente considerados os autores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Nesse processo, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), responsável pela seleção das obras, deverá aplicar aos autores de língua portuguesa dos restantes países da CPLP "os mesmos critérios técnicos e pedagógicos aplicados às obras de autores portugueses".
Atualmente, as aprendizagens essenciais de Português do ensino secundário, por exemplo, referem apenas autores portugueses como leitura obrigatória ou opcional.
A decisão foi anunciada esta terça-feira, a propósito do Dia Mundial da Língua Portuguesa, e insere-se na revisão de todas as aprendizagens essenciais que, após uma primeira fase de consulta pública concluída na semana passada, serão ainda sujeitas a uma segunda, para entrar em vigor no ano letivo 2027/2028.
Numa carta enviada aos ministros da Educação da CPLP, os ministros de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e da Educação, Fernando Alexandre, sublinham que a inclusão de autores de outros países da CPLP representa um "justo reconhecimento a todos os escritores de língua portuguesa".
"Este será um passo importante para o reconhecimento pleno da riqueza da nossa língua comum, bem como para a promoção de uma maior proximidade cultural entre os nossos povos, especialmente junto das gerações mais jovens", escrevem os governantes, defendendo uma "abordagem mais inclusiva e representativa do espaço lusófono".
A iniciativa será apresentada esta semana aos ministros da Educação da CPLP, no âmbito de uma reunião que vai decorrer em Dili, Timor-Leste.
O Governo português vai apelar para que os restantes estados-membros adotem abordagens semelhantes nos respetivos programas educativos, aprofundando "a cooperação cultural e educativa no espaço lusófono, contribuindo para uma comunidade ainda mais coesa e dinâmica", refere o Ministério da Educação.
Além de Portugal, a CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe, e Timor-Leste.
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