Sábado – Pense por si

José Pacheco Pereira
José Pacheco Pereira Professor
30 de julho de 2017 às 13:00

A época tola

Sem futebol, o espaço que é preciso encher nas televisões é um drama. Sem parlamento e com os políticos a banhos, não há política, as fontes estão a secar ao sol. Sem tragédias, espera-se, o exercício da masturbação da dor, a que se entrega ardorosamente a comunicação social até ao espasmo final, fica penoso

Lá vamos entrar mais uma vez na silly season, a época tola, ou melhor a época mais tola na sequência de muitas outras épocas tolas. E o melhor da época tola é a parte que não esconde o que é: o Quim Barreiros, a Rosinha, a Ruth Marlene, e os múltiplos clones de cada um deles. Aquilo ainda é Portugal, a manha camponesa, a lascívia rural e do subúrbio, a grosseria e o plebeísmo, a graça do trocadilho fácil, a juventude da cerveja, uma certa boçalidade e brutalidade, aquilo ainda é nosso, porque Portugal ainda é muito assim. Isso suporta-se razoavelmente e o título destas crónicas veio da habitual reciclagem anual na música pimba, com o refrão de "quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré". Pode merecer uma reflexão sobre o que ainda somos, nós e muitos outros europeus que vêm para o Algarve, ou Torremolinos, mas não merece desdém.

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