A Fundação José Saramago sublinhou esta segunda-feira que procura sempre agregar e não comparar, mas questionou qual o critério para retirar o caráter obrigatório à obra do Nobel português das aprendizagens essenciais do ensino secundário, segundo uma proposta ainda preliminar.
"A posição da Fundação José Saramago será sempre a de agregar e de não colocar em comparação ou oposição. Daí que deixemos à Comissão responsável por esta alteração na lista de livros de leitura obrigatória para o 12.º ano a sugestão de trocar a palavra 'ou' pela palavra 'e', juntando a José Saramago o escritor Mário de Carvalho, merecedor de toda a admiração e abrindo assim a porta a que outras e outros escritores participem também na formação das novas gerações de leitores", pode ler-se num comunicado divulgado hoje pela fundação presidida por Pilar del Río.
Ainda assim, a fundação questionou qual o critério que esteve na origem desta proposta de alteração e se "abrangerá outros autores que integram o cânone da Literatura Portuguesa, colocando-os como de leitura sugerida e não obrigatória".
Em causa está a proposta de alteração das aprendizagens essenciais do 12.º ano, que até aqui tinham duas obras de José Saramago como opção dentro do romance ("Memorial do Convento" ou "O Ano da Morte de Ricardo Reis") e que passam a contar com um livro de Mário de Carvalho como alternativa ("Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde").
No conto, a proposta prevê um texto de Maria Judite de Carvalho como obrigatório ("George"), incluindo vários outros autores na lista em contrato de leitura: Manuel da Fonseca, Mário de Carvalho (dois nomes que, com Maria Judite de Carvalho, já figuram nas atuais aprendizagens essenciais), José Rodrigues Miguéis, Teresa Veiga, David-Mourão Ferreira, Lídia Jorge, Irene Lisboa e Luísa Costa Gomes.
Também na poesia a proposta prevê atualizações: Miguel Torga, Herberto Helder, Manuel Alegre e Luiza Neto Jorge deixam de constar da lista de opções para passar a incluir Fiama Hasse Pais Brandão, José Régio, Mário Cesariny, Ruy Cinatti, Vitorino Nemésio, Carlos de Oliveira, Raul de Carvalho, Salette Tavares (poemas visuais), Ana Hatherly (poemas visuais) e Luís Filipe de Castro Mendes.
Jorge de Sena, Eugénio de Andrade, Alexandre O'Neill, António Ramos Rosa, Ruy Belo, Vasco Graça Moura, Nuno Júdice, Ana Luísa Amaral mantêm-se na lista de poetas contemporâneos a ler em modo de contrato de leitura.
Ainda na poesia, é proposto o alargamento do estudo da obra de Fernando Pessoa (mais poemas de ortónimo e de "Mensagem") e o documento passa a integrar Cesário Verde, Mário de Sá-Carneiro e Teixeira de Pascoaes.
No comunicado hoje divulgado, a Fundação José Saramago lembra o fecho do discurso de agradecimento do Nobel da Literatura, em 1998: "E agora quero também agradecer aos escritores portugueses e de língua portuguesa, aos do passado e aos de agora: é por eles que as nossas literaturas existem, eu sou apenas mais um que a eles se veio juntar".
O Governo pôs uma versão preliminar revista das aprendizagens essenciais (AE) em consulta pública na sexta-feira, num processo que vai durar um mês e que pretende recolher contributos da comunidade educativa, especialistas e sociedade.
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