Tudo o que precisa de saber sobre a psoríase

Tiago Torres, médico dermatologista do Centro Hospitalar do Porto, explica os mitos da doença, como pode ser tratada e em que consiste.
Por Leonor Riso 10 de Janeiro de 2020 às 15:14

O médico dermatologista Tiago Torres e a PSOPortugal — Associação Portuguesa da Psoríase são os organizadores do evento Uma Manhã com a Psoríase, que se destina a pessoas que sofram da doença.

Torres, o responsável pela consulta de psoríase e pela unidade de ensaios clínicos do serviço de Dermatologia do Centro Hospitalar do Porto, explica em que consiste a doença que não tem cura, como pode ser tratada e ainda os maiores mitos que lhe estão associados.

O que é a psoríase?
É uma das doenças de pele mais frequentes, e estima-se que afete cerca de 250 mil portugueses. Caracteriza-se por lesões vermelhas e descamativas, localizadas preferencialmente aos cotovelos, joelhos, região lombar, couro cabeludo e unhas.

O que é que um doente com psoríase deve evitar? Por exemplo, deve evitar o stress?
A psoríase é uma doença multifatorial na qual fatores genéticos e fatores ambientais têm um papel importante. De facto, existem vários fatores ambientais, como por exemplo, infeções bacterianas, certos medicamentos, a obesidade e o stress, que em doentes geneticamente predispostos, promovem o desenvolvimento ou o agravamento da psoríase. Assim, dentro das possibilidades, os doentes com psoríase devem evitar ou tratar estes fatores de agravamento da doença.

Numa situação de grande stress, como é que a psoríase se pode manifestar?
O stress é um fator reconhecido de agravamento da psoríase ou do seu desenvolvimento em doentes geneticamente predispostos. É frequente encontrarmos doentes que nos referem que a primeira manifestação de psoríase ocorreu após um evento de elevado stress ou ansiedade ou outros casos em que, mesmo sob terapêutica, referem o agravamento da psoríase após um episódio de stress.

E pode dar algumas dicas para facilitar a vivência com a doença?
A melhor dica para facilitar a vivência com a doença é informar que atualmente existem vários tratamentos que permitem resolver por completo ou quase por completo as lesões de psoríase, devolvendo assim a qualidade de vida perdida com a doença. Por outro lado, a psoríase é atualmente considerada uma doença associada a múltiplas comorbilidades cardiometabólicas, como a obesidade, a hipertensão ou diabetes. Por isso, é igualmente importante a adoção de um estilo de vida saudável com perda de peso, cessação tabágica e actividade física.   

Como se podem tratar as lesões de psoríase?
Não existindo ainda uma cura para a doença, o objetivo do tratamento passa por diminuir a sua atividade, controlando os seus sinais e sintomas, e melhorando a qualidade de vida, permitindo uma atividade profissional, social e familiar indistinguível da população sem psoríase. O tratamento do envolvimento cutâneo engloba terapêutica tópica, nos casos mais localizados, ou fototerapia, terapêutica oral ou injetável nas formas mais extensas.

E os doentes devem estar atentos a certos sinais de agravamento das lesões?
Em casos de agravamento, os doentes devem procurar o seu dermatologista no sentido de perceber se existe a necessidade de alteração ou otimização da terapêutica ou de tratar algum fator de agravamento da psoríase, como por exemplo uma infeção. No entanto, talvez o mais importante, seja estar atento ao desenvolvimento de artrite psoriática. Cerca de 1/3 dos doentes com psoríase podem desenvolver uma forma de doença articular, designada de artrite psoriática, que na maioria dos casos se desenvolve após o aparecimento das lesões de pele. Assim, é muito importante estar atento ao desenvolvimento de queixas articulares, como dor ou rigidez, e procurar o seu dermatologista ou reumatologista para diagnóstico e tratamento.

Os mitos sobre a psoríase
Tiago Torres salienta que a psoríase não é contagiosa, por se tratar de uma doença inflamatória, imunológica e não infecciosa.

A higiene da pele em nada interfere com a doença, porque esta é causada por fatores genéticos, como a predisposição genética, e fatores ambientais como o stress, fármacos ou infeções.

Apesar da predisposição genética, a probabilidade de os seus filhos terem psoríase caso sofra da doença não é elevada.

A exposição solar é positiva e terapêutica, mas tem que ser cuidada.

Quanto à dieta, não existem provas em como certos alimentos são melhores que outros, ou que alguns não devem ser comidos.

Saiba mais sobre esta doença no guia prático Médico em Casa, todos os dias nas bancas com o Correio da Manhã.

Prevenção
Por ser autoimune, não se conhecem mecanismos de prevenção da doença, embora se possa tentar evitar recidivas.
Por exemplo, há alguns alimentos que demonstram exacerbar os sintomas da psoríase como carnes vermelhas e lacticínios, alimentos com glúten, alimentos processados, alimentos ricos em solanina (tomate, batatas, pimentos, beringela, etc.) e álcool, devendo por isso ser evitados. 

Como se trata
O tratamento da psoríase depende do tipo, da área afetada e da respetiva extensão. 
Todos os pacientes devem ser instruídos a manter a pele hidratada e evitar possíveis agressões como exposição solar, secura ou agentes químicos que possam causar irritação. As terapêuticas podem incluir análogos da vitamina D e retinoides tópicos, corticoides em casos de exacerbação, e radiação ultravioleta. Recentemente, a utilização de biofármacos antoagonistas de mediadores imunitários veio dar uma nova esperança aos doentes. 

Tratamento complementar
Quando se sofre desta condição, deverá consumir-se mais fruta, vegetais e alimentos ricos em ómega 3 como peixes gordos. 

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