O cancro da mama pode ser detetável através de análises ao sangue?

Um estudo realizado na Universidade de Nottingham, Inglaterra, afirma que as análises sanguíneas podem revelar a presença de cancro da mama antes dos sintomas surgirem.
5 de Novembro de 2019 às 07:30

O cancro da mama poderá vir a ser detetado até cinco anos antes de os sinais aparecerem em pacientes graças a um exame ao sangue que permite identificar as respostas imunes do corpo às células cancerígenas. É esta a declaração feita por um estudo acaba de ser apresentado na Conferência Nacional do Cancro em Glasgow, Escócia. O estudo é o resultado de uma investigação da Faculdade de Medicina da Universidade de Nottingham que se focou em químicos conhecidos como antigénios, produzidos por células cancerígenas, que despoletam uma resposta imunitária nos seres humanos. Em particular, levam à produção de anticorpos cujo objetivo é bloquear esses mesmos antigénios invasores.

Os investigadores procuraram detetar a presença de anticorpos específicos em pacientes, mostrando se estes foram ou não provocados pelas células cancerígenas. A equipa fez análises ao sangue de 90 pacientes recém-diagnosticados com cancro da mama. Compararam-nas com amostras de um grupo de controlo (grupo isente de intervenção ou tratamento) de 90 pacientes sem a doença. Ao comparar ambos os grupos, foi identificado cancro de mama em 37% das análises feitas ao sangue de pacientes diagnosticados. Crucialmente, conseguiu mostrar-se que não havia quaisquer vestígios de cancro em 79% das análises feitas ao grupo de controlo.

Mostrando uma maneira viável de diagnosticar o cancro da mama, Daniyah Alfattani, membro da equipa de investigação da Universidade Nottingham revelou ao diário The Guardian: "Quando a precisão deste teste for melhorada, abre-se a possibilidade de utilizar uma única amostra de sangue para detetar a doença cedo".

Mas há quem discorde. O professor e especialista em Oncologia Molecular Lawrence Young, da Universidade de Warwick, defende, também ao The Guardian, que "embora esta seja uma pesquisa encorajadora, é demasiado cedo para afirmar que este teste possa ser usado para identificar o cancro da mama em fase inicial. É preciso mais trabalho para aumentar a eficiência e sensibilidade da detecção", diz. A equipa está de momento a testar análises de 800 pacientes e espera melhorar a exatidão do procedimento com mais análises ainda. Os investigadores estimam que, com um programa de desenvolvimento bem financiado, o teste poderá tornar-se disponível dentro de 4 a 5 anos.

 

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