Diabetes: a “doença silenciosa” que mata 12 pessoas por dia em Portugal

José Manuel Boavida, Presidente da Ass. Protetora dos Diabéticos em Portugal, explica os pontos essenciais desta doença metabólica crónica.
Por Susana Pereira Oliveira 17 de Março de 2020 às 15:42
José Manuel Boavida, Presidente da Ass. Protetora dos Diabéticos em Portugal, explica os pontos essenciais desta doença metabólica crónica.
José Manuel Boavida, Presidente da Ass. Protetora dos Diabéticos em Portugal, explica os pontos essenciais desta doença metabólica crónica.

Conhecida como uma doença metabólica crónica, a Diabetes é essencialmento caracterizada pelo açúcar alto no sangue (glicémia), que vai provocar lesões nos vasos sanguíneos e, desta maneira, atingir todos os órgãos do corpo humano.

Esta doença pode ter várias causas e vários tipos, mas ao Correio da Manhã, José Manuel Boavida – Presidente da Associação Protetora dos Diabéticos em Portugal –, explicou que "o mais importante do ponto de vista do número de pessoas que atinge é a Diabetes tipo 2" e ainda todas as complexidades desta doença, como por exemplo a manifestação do Pé Diabético.

O que é a Diabetes
A Diabetes é uma doença metabólica crónica, que pode ter várias causas e que se caracteriza pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue. Esta doença "complexa e muito complicada que exige uma atenção muito própria" pode afetar qualquer pessoa, no entanto a exposição a fatores de risco pode aumentar a probabilidade do seu aparecimento.

São conhecidos dois tipos de Diabetes: 1 e 2. As crianças e adolescentes sofremessencialmente de Diabetes tipo 1, em que o diagnóstico é precoce, quer pelos sintomas, quer pelas análises de rotina. A Diabetes tipo 2, que atinge um grande número de pessoas, surge quando existem outro tipo de complicações, como é o caso de adolescentes com excesso de peso.

Manifestação da Diabetes
Os principais sintomas da Diabetes, "doença silenciosa", são causados pelas quantidades de açúcar no sangue. Assim, podemos ter sintomas associados ao aumento dos níveis de açúcar (hiperglicemia) ou à diminuição dos níveis de açúcar (hipoglicemia).

Fatores de risco para a saúde
Considerado um problema de Saúde Pública, a Diabetes resulta, muitas vezes, da forma como as pessoas vivem e dos hábitos que têm. Quem sofre de Diabetes enfrenta "diversos riscos para a saúde", riscos esses que "diminuem a qualidade de vida" dos afetados. Esta condição não tem cura e é considerada a "principal causa da cegueira, da insuficiência renal, de amputações e de enfartes".

É importante ter em conta de que há fatores de risco modificáveis, "possíveis de controlar" e fatores de risco não modificáveis, "que não controlamos".

Nos fatores de risco modificáveis estão a hipertensão arterial, a privação do sono, a obesidade, o tabagismo e o sedentarismo; já nos não modificáveis temos fatores como doenças do pâncreas ou endócrinas e o histórico familiar.

Diagnóstico da Diabetes
Diagnosticar a Diabetes é por vezes complicado e tardio devido ao facto de os sintomas passarem muitas vezes despercebidos. No entanto, através de uma análise dos sintomas e dos vários fatores de risco, é possível diagnosticar a doença.

Como prevenir
O avanço que se nota atualmente nos tratamentos e na compreensão desta doença, permitem aos diabéticos ter uma vida praticamente normal. Porém, é importante prevenir surgimento de complicações. Ter "cuidado com a alimentação" e "praticar exercício regularmente" são os motes principais para "evitar a doença e/ou mantê-la controlada".

José Manuel Boavida refere ainda que, para controlar a Diabetes, é importante conhecer a doença, controlar os níveis de glicemia e regular a alimentação de forma a que esta seja saudável.

Tratamento da Diabetes
O especialista começa por dar conta de que é possível "reverter a Diabetes em fases precoces". Para tal, pede-se aos doentes que "percam peso" e mantenham "uma vida ativa". Quando uma pessoa "já se encontra noutra fase, com a doença diagnosticada, há vários tratamentos desde comprimidos a medicamentos injetáveis", sendo, "em algumas fases", necessário recorrer à utilização de insulina.

O tratamento com insulina é feito pelos diabéticos tipo 1. É feito um tratamento denominado por insulinoterapia, em que a insulina é administrada por via subcutânea (por baixo da pele). Já os diabéticos tipo 2 controlam a glicemia com antidiabéticos orais. Também pode ser prescrita insulina a estes, caso o tratamento com antidiabéticos orais não seja capaz de atingir os objetivos esperados.

Complicações a nível da saúde
A Diabetes traz várias complicações à saúde, desde problemas no coração e nos rins, nos olhos e também nos pés. O Pé Diabético, que ocorre em áreas onde existe lesão dos nervos, a chamada neuropatia (que leva a uma redução da sensibilidade), surge associado aos diversos problemas do pé que ocorrem como complicação da doença. Outras causas do Pé Diabético, que apresenta maior tendência para a formação de calos em zonas de maior pressão, são também as alterações da circulação e as alterações na forma do pé ou das unhas.

José Manuel Boavida avança que os diabéticos devem ter atenção e "prevenir o aparecimento de feridas ou úlceras, que são portas de entrada de infeções que levam, normalmente, às imputações". 

Taxa de incidência da Diabetes em Portugal
A incidência da Diabetes tem vindo a aumentar de ano para ano. Dados de 2019 dão conta de que Portugal regista entre 60 mil a 70 mil novos casos de Diabetes todos os anos, a maioria do tipo II. É ainda evidenciado que cerca de 8% da população está registada como tendo a doença.

José Manuel Boavida afirma que, por dia, "são diagnosticadas mais de 200 pessoas com Diabetes em Portugal e morrem 12 pessoas por causa desta doença". Relativamente à faixa etária mais afetada, o especialista explica que "quanto maior a idade, menos o organismo é capaz de responder à condição".

Numa idade superior aos 60 anos, os números dão conta de que 30% dos homens e cerca de 20% das mulheres têm Diabetes, "uma doença extremamente cara por causa dos internamentos que provoca e por causa das suas complicações". Em Portugal, esta doença já representa "cerca de 10% dos custos de saúde, o que significa ser necessário apoiar as pessoas com Diabetes com programas específicos", como um que foi recentemente realizado no Alentejo, em que a Associação Protetora dos Diabéticos em Portugal realizou uma intervenção em Lares e Centros de Dia com o objetivo de prevenir e controlar o Pé Diabético através dos cuidados de podologia.

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