Afinal para que serve o apêndice?

Quem já passou por uma apendicite sabe que o pequeno canal, ligado ao intestino grosso, pode fazer-se notar através da dor, mas qual é a sua função?
Por Nuno Paixão Louro 11 de Outubro de 2019 às 11:41
Era um dos mistérios da ciência, mais propriamente da que estuda os órgãos do corpo, porque não havia uma resposta para a sua existência, apenas dúvidas. Agora, um estudo publicado a 9 de janeiro, veio provar que o apêndice tem afinal uma utilidade específica e é importante.

Normalmente, só de dá por ele em caso de apendicite, ou seja de inflamação aguda, e não era conhecida qualquer função para este pequeno canal (com uma média de cinco a 10 centímetros) que prolonga o ceco, ou seja, a parte inicial do intestino grosso, podendo até viver-se sem ele. Porém, sabia-se que, em caso de peritonite (perfuração), pode provocar a morte.

Um estudo científico da Faculdade de Medicina Osteopática da Universidade do Midwestern, no Arizona, Estados Unidos, concluiu que longe de ser inútil, este pequeno órgão tem um papel importante no que toca ao sistema imunitário, ao permitir a concentração de tecido linfóide nos intestinos, fundamental para o desenvolvimento de bactérias benéficas ao organismo.


A anatomista Heather Smith, liderou o estudo durante os oito anos em que foi desenvolvido, não se limitou a estudar o apêndice dos humanos, analisando também o mesmo órgão nos mamíferos que o têm, como os coelhos ou os chimpanzés, para descobrir qual o elemento comum entre eles. Concluíram que não era a alimentação, a área geográfica, nem mesmo o tipo de socialização.

Tinha de haver uma razão para que o órgão tivesse evoluído nas 533 diferentes espécies de mamífero que o têm e raramente ter desaparecido na sua evolução. "Em animais que têm apêndice há uma maior concentração de tecido linfóide no ceco", e esse é o ponto comum entre eles, justifica Smith.



Além disso, o estudo aponta no sentido do apêndice funcionar também como uma espécie de depósito de bactérias benéficas em casos de emergência, ou seja, em situações de disenteria, quando o intestino perde os micro-organismos que nele vivem e que fornecem nutrientes e defesas contra as infecções: "O apêndice tem uma concentração de boas bactérias intestinais que podem repovoar o intestino", explica a cientista.

Daí que se possa viver sem esse pequeno órgão, mas que, segundo Smith, cujo apêndice foi removido quando tinha 12 anos, a recuperação de uma doença intestinal seja "ligeiramente mais longa" do que nas restantes pessoas.
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