Coronavírus pode provocar diabetes

Doença pode igualmente aumentar o risco de morte em infetados pela covid-19.
Por SÁBADO 28 de Junho de 2020 às 22:06
Diabetes
Diabetes

Em meados de abril, um jovem alemão de 18 anos soube que tinha sido infetado pela covid-19. Estava assintomático e testou positivo após os pais terem feito uma viagem de cruzeiro pela Áustria. Finn Gnadt pensava ter escapado ao novo coronavírus ileso, mas semanas depois começou a sentir-se exausto e constantemente sedento. No início de maio foi diagnosticado com diabetes tipo 1.

Este não é um caso único. Também em Singapura, um homem perfeitamente saudável desenvolveu complicações diabéticas após contrair o vírus da covid-19. A diabetes é conhecida como um dos fatores de risco para quem desenvolve sintomas graves da covid-19 e pessoas com a doença têm maior probabilidade de morrer do vírus.

Na maioria das pessoas com diabetes tipo 1, aqueles que Gnadt desenvolveu, as células do sistema imunitário começam a destruir células beta (β), responsáveis pela produção de insulina no pâncreas. Para Tim Hollstein, médico do jovem de Kiel, o vírus foi o responsável pela destruição de células β, uma vez que o seu sangue não continha o tipo de células imunitárias responsáveis pelas lesões do pâncreas onde vivem as células que produzem insulina.

Paul Zimmet, que estuda a doença metabólica na Austrália, na Universidade de Melbourne, aponta à revista Nature que a diabetes "é como dinamite" se uma pessoa for infetada pela covid-19 e, agora, juntamente com mais 16 especialistas, escreveu uma carta à revista científica The New England Journal of Medicine indicando que existe uma relação entre o aparecimento da diabetes e o novo coronavírus: não só a diabetes aumenta o risco de morte em infetados pela covid-19, como a covid-19 pode originar diabetes em infetados.

Como prova, especialistas indicam que vários vírus, incluindo aqueles que causam Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), têm sido ligados a doenças autoimunes como é o caso da diabetes tipo 1. Outra relação é o nível alto de açúcares no sangue e de corpos cetónicos em infetados pela covid-19, que são os componentes de reserva que o corpo utiliza como alternativa quando não existe insulina suficiente para decompor o açúcar.

Além disso, muitos dos órgãos envolvidos no controlo dos açúcares são ricos na proteína ACE2 – as enzimas conversoras de angiotensina 2 que funcionam como recetores aos quais o vírus da covid-19, o SARS-CoV-2, se liga para entrar no organismo humano.

Por isso, e para estudar a relação de duplo sentido entre diabetes e covid-19, este grupo internacional de cientistas juntou-se para criar uma base de dados que recolha informação de doentes da covid-19 com altos níveis de açúcar no sangue que não tinham qualquer historial de diabetes até á altura da infeção pelo novo coronavírus.

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