Ataques de pânico: O que são e como prevenir

Crises de ansiedade provocam no paciente a sensação física de “morte iminente”.
Por Vanessa Fidalgo 4 de Fevereiro de 2020 às 01:30
Ataques de pânico
Tito Baía
Ataques de pânico
Tito Baía
O QUE É
Os ataques de pânico são uma perturbação psicológica caracterizada por um estado de ansiedade extrema, com manifestações físicas que são equiparáveis "à sensação de morte iminente", descreve Pedro Brás, psicoterapeuta e diretor da Clínica da Mente, em Lisboa.

A primeira vez ocorre de forma súbita e sem causa aparente. "O verdadeiro problema reside aqui. Os sintomas experienciados no primeiro ataque de pânico são tão fortes e assustadores, que a pessoa fica com medo do medo, ou seja, medo de sentir novamente estes sintomas. E assim se desencadeia um ciclo de ataques de pânico, aparentemente incontroláveis", explica o especialista.

Pedro Brás refere que estes episódios podem atingir qualquer pessoa. "Não é um problema genético nem hereditário. No limite, podemos dizer que há fatores socioambientais que podem favorecer o seu aparecimento: por exemplo, pessoas com uma vida muito agitada e ocupada ou pessoas com muita responsabilidade e pressão sobre elas têm mais propensão a sofrer", acrescenta o especialista em saúde mental.

Mas este é também um problema incompreendido. "Por vezes é encarado como uma ‘chamada de atenção’ ou até mesmo uma ‘fraqueza’, criando um estigma à volta da perturbação. Mas, felizmente, o paradigma da saúde mental está a mudar e já se fala dos problemas emocionais e psicológicos, que todos nós temos, de forma mais natural", salienta Pedro Brás.

SINTOMAS
Taquicardia
É um dos sintomas mais comuns: a sensação de que a pulsação está tão elevada que leva a pessoa a temer um enfarte.

Hipersudorese
Suor excessivo, sobretudo nas mãos e costas: pode ser acompanhado por sensação de calor, sede e tremores.

Medo da repetição
Só o primeiro ataque de pânico é real. Os restantes derivam do medo intenso de que estes se repitam levando o paciente a evitar situações semelhantes ou mesmo evitando sair de casa (agorafobia) porque, para o paciente, nenhum lugar parece seguro.

Náuseas e desmaios
Os sintomas podem variar muito de pessoa para pessoa. Náuseas, vómitos, dores abdominais ou torácicas, cefaleias, tonturas, sensação de desmaio ou dificuldade em engolir contam-se também entre os principais sinais.

Depressão
Numa boa parte dos casos, a depressão surge associada, pelo que é imprescindível tratá-la. Os ataques podem também surgir no quadro de abusos, após um acidente, stress intenso ou mudanças bruscas de vida.

PREVENÇÃO
Controlar
Não existe forma de prevenir a ocorrência dos ataques de pânico, mas é possível controlá-los e tratar (ou modificar em termos comportamentais) as causas que levam ao seu aparecimento.

"Não é um enfarte"
"Durante um ataque de pânico, a pessoa tem de respirar fundo e tentar acalmar-se, sabendo que não vai morrer e que aqueles sintomas que está a experienciar são próprios do episódio de pânico e não uma antevisão de um enfarte", explica o médico Pedro Brás.

Terapia
As sessões permitem desconstruir o impacto negativo de certas emoções.

Autoconhecimento
Um passo essencial para o doente é reconhecer e identificar os ‘gatilhos’ que despoletam as manifestações de ansiedade.

COMO SE TRATA
Há diferentes abordagens para os ataques de pânico. A mais comum, "por ser a menos dispendiosa", é a toma de medicação, a qual atenua os sintomas. Porém, não trata a origem e, por isso, "o problema permanece adormecido", explica Pedro Brás.

"A psicoterapia é uma intervenção que utiliza técnicas psicológicas que conseguem encontrar a raiz do problema e ajudar a pessoa a controlar e a gerir as emoções, de forma a não voltar a ter ataques de pânico. É extremamente eficaz, mas um pouco mais demorada e que exige esforço", frisa.

O MEU CASO: "Medicação agravou o problema" 
Tito Baía sentiu o primeiro ataque de pânico aos 35 anos. "Tinha tremores, falta de ar, suores, calor, o coração a bater depressa". A medicação só agravou o problema: conseguiu resolvê-lo com terapia feita durante um ano.
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