Sete situações em que tem mesmo de dizer não aos seus filhos

Não há excepções, nem explicações demoradas. Estas situações têm de ser resolvidas com uma resposta clara e sem dúvidas dos pais. Quer seja no supermercado ou em casa.
Por Rita Sanches com Vanda Marques 11 de Outubro de 2019 às 10:45
Diz-se que os animais sentem o medo. Que o cheiram. Sabem quando é o momento de atacar, ao sentirem a presa a vacilar. Com as crianças é quase o mesmo instinto para perceber que aquele "não" vai tornar-se rapidamente num "sim".

Calma. Não estamos a insultar ninguém. Mas quantas vezes já lhe aconteceu – ou presenciou – uma criança fazer uma enorme birra porque quer um chupa-chupa e o pai ou a mãe recusa? Aquele "não" é vencido pelo cansaço, pelo espetáculo de fúria e pandemónio instalado à volta da criança. Mas se devemos sempre escolher bem as nossas batalhas, existem situações em que os pais têm de se manter firmes. Ainda assim não se pode banalizar o "não", porque isso faz com que a criança desvalorize a palavra.

A situação oposta, dizer sempre que "sim" a todos os pedidos e exigências, é recusar ser educador da criança, diz a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos. "O ‘não’ é uma palavra amigável quando é bem usada para ajudar as crianças a saberem lidar com as dificuldades da vida e ajuda-as a sair da sua área de conforto", acrescenta.

Hoje, os pais sentem mais dificuldade em dizer "não" aos filhos, referem os especialistas "Eles querem uma relação diferente da que tiveram com os pais e tentam evitar o conflito porque têm medo de beliscar essa relação", diz Magda Costa Gomes, coach parental. Seguem-se situações nas quais não pode haver exceções e que deve seguir, como se fosse uma espécie de cartilha do "não".

Mexer em tomadas
O primeiro e principal "não", eleito pelos três especialistas contactados, é o que evita o risco físico. Tem de ser contextualizado para mostrar o perigo, mas é importante que não se estimule medo na criança, sublinha Ana Vasconcelos. Ainda assim tem de ser um "não" assertivo, que a criança ouça o que o adulto lhe vai dizer. A lista de situações inflexíveis inclui: não mexer no fogão, no aquecedor, nas tomadas, não se debruçar na janela ou não atravessar a rua sozinho. Aqui, está também o não deixar o filho de 11 anos ver um filme para maiores de idade. "Se é para maiores de 18 isto é uma proteção emocional, tudo o que esteja ligado à segurança e proteção é não negociável", explica Magda.

Bater nos outros
É normal que surjam conflitos e que a criança, por não saber ainda gerir as suas frustrações, fique chateada e queira bater no outro. As guerras entre irmãos são as mais comuns, mas Magda Gomes Dias explica que, apesar de ser uma situação recorrente, os pais não podem permitir que eles resolvam os problemas com violência. Têm de aprender a resolvê-los através do diálogo. Por exemplo, no caso dos irmãos, os pais podem dizer "não podes bater no teu irmão, vais dizer que estás zangado e se quiseres eu ajudo a escolher as palavras", explica.

Mentir
Este tem de ser um "não" trabalhado ao longo do tempo. Por muito que os pais peçam ou exijam que o filho não lhes minta, isso só vai acontecer se a criança sentir que tem uma relação de confiança com os pais. "Por exemplo, há sempre um dos irmãos que faz mais asneiras, mas os pais não podem dizer ‘eu sei que foste tu’, porque dessa vez até pode não ter sido", conta Magda Gomes Dias. Estas pequenas coisas vão criando brechas na relação e as crianças vão aprendendo a defender-se, o que pode acontecer através da mentira.

Recusar vacinas
Se qualquer pai ou mãe perguntar aos seus filhos se querem levar uma vacina, a resposta será negativa. "Isto acontece porque uma criança não tem ainda a capacidade de perceber o alcance preventivo da vacinação", explica Manuel Coutinho, psicólogo e coordenador do SOS Criança. Perante esta situação, não há negociação e a opinião dos pais tem de prevalecer à da criança. "Os bons pais são aqueles que amam sem limite, mas que limitam por amor", sublinha Manuel Coutinho, limitar é necessário para proteger a criança.

Não querer ir à escola
Tal como no "não" anterior, neste caso a opinião e a decisão dos pais não podem dar azo a negociações. A criança tem de perceber, desde cedo, que a obrigação dela é ir à escola, tal como a dos pais é trabalhar. Manuel Coutinho explica que os pais devem conversar com os filhos, para que eles entendam o porquê do "não". Dizer, por exemplo: "A vida tem dificuldades e pode não te apetecer ir, mas tens de ir porque é importante e porque o lugar das crianças da tua idade é na escola."

Birras por brinquedos
O consumismo também chega às crianças e é difícil resistir ao facilitismo da parafernália de brinquedos. Ana Vasconcelos considera que as crianças ouvem muitos "nãos" nestes casos. "Temos de domesticar o ter a favor do ser", reforça a pedopsiquiatra. Mais uma vez, esta recusa tem de ser explicada à criança e sem usar o argumento "é assim porque eu digo". Explicações adequadas? "Não temos muito dinheiro, não podemos comprar"; "já tens um, não vamos comprar outro" ou "não podes ter todos os brinquedos que queres". "É um ‘não’ de ordem, para impedir um desejo", diz a pedopsiquiatra. Serve para ensinar aos filhos a pensar antes de agir.

Tirar sem pedir
Demonstrar às crianças que isto não é tudo deles, que existem regras e deve haver respeito pelos outros não é possível sem ter de dizer "não" em várias situações. Por exemplo: "Não podes tirar sem pedir" ou "não podes passar à frente". São essenciais para que os pais possam ensinar valores aos filhos. Ser criança não é desculpa e não se pode confundir a má educação com brincadeira. Se diz a alguém "hoje estás horrível", deve explicar-se de imediato que não se fala assim e que, se quiser opinar, pode dizer "não gosto muito do teu vestido" ou "não gosto muito do teu cabelo". "É um ‘não’ para explicar o valor do respeito pelo outro e estes são muito importantes porque vão permitir que a criança aprenda os valores da sua família", diz Ana Vasconcelos.
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