Como os hobbies melhoram as relações

São testes à confiança, melhoram a comunicação e revitalizam o casamento. Surf, ioga, dança – há cada vez mais actividades pensadas a dois. Basta escolher.
Por Dina Arsénio com Vanda Marques 11 de Outubro de 2019 às 10:07
Na relação de Luís e Inês não há rótulos. Não se identificam como namorados, mas como duas pessoas que partilham uma ligação muito especial. Conheceram-se numa atividade de dança latina, numa coreografia de salsa, em Gaia, mas foi o acroioga, que combina exercícios de ioga com acrobacias e massagem tailandesa, que os juntou. "Começámos a fazer acroioga juntos em Dezembro de 2016. A primeira vez foi numa sala de dança, a seguinte foi na praia", conta Luís Martins, 38 anos. O bancário já tinha experiência na modalidade e ensinou Inês. "O acroioga foi o que nos uniu e é algo que nos ajuda a conhecermo-nos melhor e a ficarmos com uma vontade enorme de continuar a explorar a prática e a explorarmo-nos mutuamente", diz Inês Duarte, 30 anos, gerente.

A professora de fly yoga (ioga aéreo) Lucie Lorencová explica que no seu espaço, Studio Fly, no Porto, os workshops de acroioga – que só podem ser feitos a pares, sejam casais, amigos ou desconhecidos – acontecem de 15 em 15 dias, com a duração de duas ou duas horas e meia (€15 cada um). Os benefícios? Muitos. "Melhoria de comunicação entre casais, confiança no parceiro, espírito de colaboração, aprender a ouvir verdadeiramente e confiar, e, claro, entregar-se." Para não falar dos físicos: aumento da força, controlo muscular, equilíbrio e flexibilidade. E isso não falta a Inês e Luís. O casal dá o nome de popping de trono para pés com pés à posição que neste momento consideram mais difícil e que, apesar de fazerem há algum tempo, ainda não controlam completamente.

"Gostamos sempre de nos desafiar, somos muito focados e mesmo quando há cansaço gostamos sempre de ultrapassar isso. No entanto, há exercícios mais arriscados em que a força mental é muito importante. Quando um fraqueja, o outro está lá a dar a força necessária", diz Inês Duarte. Até já se tornaram professores e fazem workshops e espectáculos, inclusive de rua.

Desligar de tudo o resto
A terapeuta do casal, Cláudia Morais, diz que os casais felizes fazem muitas coisas a dois. "Todas as atividades que permitam que os dois membros do casal se divirtam têm um potencial terapêutico enorme. Não há nada que nos relaxe mais do que algumas gargalhadas."

Casados há 31 anos, Ana conseguiu convencer o marido, Francisco, a ir dar uns passos de dança. "Sempre gostei de ir a discotecas e dançar, ele sempre ficou mais encostado ao balcão a beber um copo", diz Ana Ferreira, 55 anos, responsável por recursos humanos. "O problema dele é que tinha vergonha, achava que não dançava bem." Foi no Círculo de Dança de Lisboa, na Quinta da Luz, que o casal fez o workshop Dança a Par para Pés de Chumbo, e experimentou o merengue, a kizomba e a valsa. Foram oito aulas de uma hora e bastaram para Francisco mudar de ideias. "As senhoras adoram, os cavalheiros divertem-se. A história mais interessante e repetida é a situação das aulas à sexta-feira à noite em que os casais dizem que sentem que o fim -de-semana chegou mais cedo", diz Teresa Mendes, professora de dança e diretora da escola de dança.

Apesar de Teresa achar que há cada vez mais casais a quererem dançar, revela que a procura a par pelos millennials ainda é pouca. Ana Ferreira garante que é muito divertido. "Conseguimos, no fim da primeira aula, dançar sem nos pisarmos. Viemos de lá muito entusiasmados." E acrescenta: "É um momento que temos só para nós, acabamos por nos desligar de tudo o resto." Agora os dois fazem aulas todas as semanas e até já chamaram amigos.

Tirar tempo um para o outro
São amigos desde os 12 anos e casados há quatro. Gostam de fazer muitas atividades juntos, uma delas é cozinhar. Margarida vem de uma família de surfistas, e por isso a possibilidade de ter aulas de surf já tinha sido colocada em cima da mesa. "Como eu sabia que o meu marido, Martim, estava interessado, marquei as aulas", conta Margarida Blanc Castro, 33 anos, organizadora de eventos. A terapeuta de casal Cláudia Morais explica que é importante experimentar algo novo. Explicação: "Fazer qualquer coisa pela primeira vez – só porque é algo que a pessoa de quem gostamos aprecia – traz muita vitalidade a qualquer relação."

O casal comprou um pack de cinco aulas na Escola de Surf Ding It, em Carcavelos, e foram. "Por acaso o meu marido tem jeito, começou logo a pôr-se de pé." O casal gostou tanto que continuaram a ter aulas. Margarida está parada neste momento à espera da segunda filha do casal, mas vai continuar. Uma tendência cada vez mais comum entre casais, como aponta Filipe Mayer, head coach da escola. "Nas aulas há bastantes sorrisos, nota-se uma grande cumplicidade entre eles. No final perguntam sempre: quando é a próxima aula?"
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