A nova etiqueta das separações na era das redes sociais

Quando se pode mudar o estado civil no Facebook? Deve comentar as publicações dos ex? O fim do namoro ou do casamento tem novas regras – saiba quais
Por Vanda Marques 10 de Dezembro de 2019 às 10:25

As separações estão mais complicadas – e a culpa é das redes sociais. Se antigamente bastava terminar a relação e bater com a porta, agora isso já não chega. É necessário fazer uma cuidada edição das redes sociais, das fotografias publicadas e até dos grupos de chat em que está.

É também preciso disciplina para resistir à tentação de espreitar o Facebook do outro. Mesmo que o consiga fazer, o seu dia de trabalho pode ser interrompido por uma mensagem num chat de grupo a marcar o jantar de amigos com o/a ex. "Com as redes sociais existe um aumento do sentimento de controlo e de posse do outro. Muitas vezes uma fotografia do ex na esplanada, feliz como nunca o viu consigo, pode trazer à luz todas as suas inseguranças", explica a terapeuta de casal Catarina Mexia.

Para evitar mal­-entendidos e conseguir pôr um ponto final na relação siga o nosso guia de etiqueta de separações na era das redes sociais.

Mudar o status das redes sociais? Espere um mês
Os conselhos são do psicólogo Fernando Mesquita e da terapeuta de casal Rita Fonseca de Castro. "Não há uma grande urgência em alterar o estado. O importante é que se sinta confortável com as perguntas que vão surgir", explica Fernando Mesquita que aconselha o mínimo de um mês antes de anunciar que está separado.

A terapeuta de casal, Rita Fonseca de Castro, alerta que é preciso perceber o impacto que esta alteração terá. "O estado da relação poderá ajudar, mais do que a tornar pública a separação, a aceitar que ela realmente aconteceu. O ideal será não o fazer imediatamente, mas também não deixar decorrer muito tempo, o que poderá indicar que existem expectativas de reconciliação." Dá outra dica: "Pode omitir o estado."

Acabou uma relação? Deve ficar offline
Fazer um jejum das redes sociais é obrigatório. Tem de esquecer o Instagram e as conversas nos grupos de WhatsApp. Porquê? "Ninguém faz o luto com o cadáver na sala. É fundamental desligar das redes sociais. Ir cuscar o perfil do ex, espreitar o que ele/a tem feito só traz más experiências. É preciso um afastamento para organizar os sentimentos", diz Catarina Mexia. Rita Fonseca de Castro defende que têm de contrariar a tendência de acompanhar a vida do ex-companheiro/a nas redes sociais. "Ao ver fotografias ou outras publicações da nova vida existe sempre o risco de se tirarem conclusões precipitadas. Será que este amigo/a com quem está é a nova pretendente? Ou se publicou esta frase mais melancólica, deve ser porque está a pensar em mim e se calhar quer voltar..." Fernando Mesquita refere ainda que quando a relação não ficou bem resolvida há quem se "vicie" no Facebook. "Tenho uma paciente que há um ano segue tudo o que o ex publica nas redes sociais."

Mas desamigar é demasiado drástico – a não ser que a relação tenha acabado em crise. Os especialistas aconselham a que não o faça, para não magoar o outro. Dica: retirar as publicações do ex do seu feed.

Apagar as fotografias antigas? Ocultar chega
Antes das redes sociais, rasgavam-se as fotografias e restavam os negativos. Agora nada desaparece da Internet. Por isso, deve seguir escolher bem o que publica. "Apagar tudo também não é bom. Parece que estamos a promover um Alzheimer antecipado. Não podemos apagar o passado", esclarece Catarina Mexia.

Rita Fonseca de Castro defende uma solução intermédia. "Pode retirar a identificação das fotografias que foram publicadas por outros e ocultar das memórias as suas, diminuindo a probabilidade de as voltar a ver." Mas deixa o alerta: "Se a relação tiver terminado de modo conflituoso, a tendência será apagar todos os conteúdos que recordem a existência daquela pessoa." Já Fernando Mesquita aconselha que sejam apagadas, para evitar incómodos futuros.

Chats em grupo? É melhor esquecer
Terá de criar outro grupo. Não há volta a dar, diz Catarina Mexia. "Não deve estar nesses grupos de chat e WhatsApp antes de resolver os seus sentimentos e sem saber como ficará a relação." Já a terapeuta Rita Fonseca de Castro revela que a gestão dos amigos é um dos pontos mais sensíveis, mesmo antes das redes sociais.

"Se o único elo de ligação for o ex, não fará sentido continuar a pertencer ao grupo, até porque os temas abordados já não lhe dirão respeito e podem causar-lhe tristeza ou ressentimento."

Fazer gosto é permitido? Raramente
O psicólogo Fernando Mesquita compara os gostos nas publicações do Facebook ao comportamento de um stalker (perseguidor). "Esses gostos ou comentários são uma forma de marcar presença e de não deixar o outro seguir o seu caminho." Rita Fonseca de Castro alerta que muitas vezes essa ferramenta é usada como uma indireta. "Poderá ser um gesto irónico ou passivo-agressivo, contendo uma mensagem que se pretende que o outro entenda. Muitas pessoas fazem-no para obter uma atenção que não estão a conseguir alcançar de outro modo, o que não me parece ser o motivo válido." A terapeuta alerta que pode ainda criar falsas expectativas e só o podem fazer se antes já eram amigos e se a relação terminou de forma pacífica.

Quem fica com o Netflix? Ninguém
Devorar séries do Netflix era um momento de paz e sem discussões. Nem quando chegava a altura de dividir a mensalidade havia chatices. Por mais tentador que seja continuar a partilhar, agora é uma coisa do passado.

"Se estão separados e dividiram os bens, o Netflix é mais um. Em alguns casos, a separação envolve perda de capacidade financeira, mas faz parte", diz Catarina Mexia. "Decidir quem fica com a password do Netflix não será muito diferente de decidir quem fica com a máquina do café", acrescenta Rita Fonseca de Castro. Outra regra: se partilhavam passwords têm de alterá-las assim que a relação acaba. Não vai querer perceber que alguém andou no seu email.

 

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