Fibromialgia pode ser desencadeada por stress e excesso de trabalho

Cerca de 300 mil pessoas sofrem desta doença em Portugal. Taxas de incapacidade e absentismo são grandes.
Por Vanessa Fidalgo 17 de Novembro de 2019 às 01:30
Fibromialgia
Fibromialgia afasta doentes do trabalho e da vida social
Fibromialgia
Fibromialgia afasta doentes do trabalho e da vida social
Desde a juventude que Susana Cabete se queixava de dores fortes que, associadas ao cansaço, a obrigavam a fazer tudo de forma muito mais lenta. Correu vários médicos e especialidades até que, em 2016, aos 44 anos, as dores que a acometiam ganharam nome: fibromialgia, uma doença até há bem pouco tempo desconhecida - ou subdiagnosticada -, mas que está a aumentar em Portugal.

"Sempre fui uma pessoa muito ativa. Fiz o mestrado e o doutoramento, já a trabalhar como professora do Ensino Secundário, e sempre fui muito dedicada e perfeccionista, quer ao ensino quer à investigação. No fundo, exigi demais ao meu corpo e, num determinado momento, isso teve consequências", revela ao CM Susana Cabete. Ainda assim, continua a dar aulas: conta que aprendeu a lidar com a doença.

"No início custou-me a aceitar que havia fatores psicológicos envolvidos, mas à medida que fui aceitando a ideia e avançando na terapêutica aprendi a lidar com isso. A integração da terapêutica faz a diferença. Atualmente, não faço medicação para as dores, mas faço caminhadas, tomo mais banhos quentes, descanso, e aprendi a relativizar os problemas. As coisas têm a importância que lhes damos e o meu objetivo é manter-me ativa até ao mais tarde possível", confessa.

Stress aumenta incidência da doença
Estima-se que a fibromialgia atinja cerca de 4% das mulheres e 1 a 2% dos homens em Portugal. No total, 250 a 300 mil pessoas. O aumento recente do stress laboral e social, o consumo de fármacos antidepressivos e ansiolíticos podem influenciar a manifestação da doença. O diagnóstico tem vindo a aumentar, dada a maior sensibilidade da comunidade médica.

DISCURSO DIRETO
José Pereira da Silva, professor de reumatologia e diretor científico da MyFibromialgia
"Doença de pessoas exigentes"

CM - Quais os principais sintomas desta doença?
-
Dores generalizadas e cansaço acentuado. As dores afetam ossos, articulações e músculos e tendem a migrar de um para outro lado do corpo, sem alterações visíveis: não há, tipicamente, inchaço nem rubor ou calor nos locais doridos, embora os doentes possam por vezes sentir-se inchados.
- Qual a influencia dos fatores psicológicos?
- A fibromialgia está muito associada a um perfil psicológico que acarreta muito stress: trata-se, tipicamente, de pessoas preocupadas ("a cabeça sempre cheia de problemas"), perfeccionistas, exigentes consigo mesmas e com os outros.

Conselho da semana
O tempo frio pode ter impactos na saúde. A hipotermia e o enregelamento são potenciais complicações associadas à exposição prolongada a temperaturas baixas. Nos dias mais frios, evite permanecer na rua, ingira bebidas quentes (a hidratação é fundamental), mantenha a temperatura em casa entre os 18ºC e os 21ºC (para evitar mudanças bruscas quando sai para o exterior) e proteja a pele das mãos e lábios.

Saiba mais sobre esta doença no guia prático Médico em Casa, todos os dias nas bancas com o Correio da Manhã.

Sintomas
  • Dor músculo-esquelética difusa em várias partes do corpo, especialmente pescoço, ombros e região lombar (vai variando de local e aumenta de intensidade com o toque; pode ser acompanhada por formigueiros, tremores, sensação de queimadura, rigidez dos músculos e das articulações)
  • Problemas de sono e depressão
  • Fadiga, especialmente ao acordar e nas atividades diárias
  • Dificuldade de concentração e perdas de memória
  • Dores de cabeça
  • Síndrome do intestino irritável (diarreia, obstipação e distensão abdominal)

Como se trata
O tratamento baseia-se em controlar os sintomas e evitar o seu agravamento. É essencial adotar uma alimentação saudável e fazer exercício físico regular. Para alívio dos sintomas, recomenda-se: banhos de água quente ou compressas quentes, massagens e fisioterapia; melhorar a qualidade do sono e terapia cognitivo-comportamental. O médico poderá prescrever, para alívio da dor, paracetamol ou ibuprofeno, mas podem justificar-se medicamentos mais fortes como o tramadol ou a pregabalina. Antidepressivos em doses baixas e relaxantes musculares são frequentemente usados para reduzir a dor e combater a depressão que decorre da doença. 

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