Da infertilidade à alteração de ADN: Especialistas desmistificam mitos das vacinas Covid

Vacina é inútil para maiores de 65 anos ou para quem esteve infetado são alguns dos mitos que proliferam entre a população mundial.
Por Correio da Manhã 08 de Fevereiro de 2021 às 12:15
Vacinação contra a Covid-19
Vacinação contra a Covid-19 Foto: Getty Images

Desde que as primeiras vacinas Covid começaram a surgir, e eventualmente a serem aprovadas, que a ansiedade pela chegada da mesma se transformou em desconfiança. Desde a primeira vacina aprovada, da Pfizer, em dezembro, que muitas foram as questões que se levantaram.

É segura? Muda o ADN? As vacinas contêm microships? Estas foram algumas das questões que se levantaram nos últimos meses. Reunimos alguns dos mitos que proliferam na Internet e desmistificamos com a ajuda de especialistas e de acordo com a página da DGS.

Conheça alguns dos mitos e as explicações dos mesmos: 
A vacina causa infertilidade
Nas redes sociais crescem as fake news e os factos sobre as vacinas são tendencialmente deturpados nestes meios. Afinal, a vacina contra a Covid provoca infertilidade?

Andrew Preston, do Departamento de Biologia e Bioquímica da Universidade de Bath, no Reino Unido, nega que a vacina possa provocar infertilidade. O especialista explica ao jornal Fab Daily que "não há maneira possível" de uma vacina interferir no sistema reprodutivo.

"Não há nada [componentes] na vacina que remotamente a ligue a danos no sistema reprodutivo", sublinha. 

Edward Morris, presidente do Colégio Real de Obstetras e Ginecologistas, também no Reino Unido, corrobora a explicação de Preston. Morris explica que não há "nenhum mecanismo biologicamente plausível" que leve as vacinas a desenvolver infertilidade nos recetores da mesma e conclui que não há quaisquer dados que apoiem esta afirmação.

Se estive infetado, não preciso da vacina
Mito. É verdade que após recuperar, o organismo ganha anticorpos e imunidade, porém isso é temporário. Não se sabe ao certo quanto tempo o corpo leva até perder a imunidade, estimando-se apenas que possa levar de três a seis meses. 

A recomendação atual das autoridades de saúde é de que todos, independentemente de terem estado infetados ou não, sejam vacinados. 

A DGS explica essa questão na sua página oficial que contém todas as questões frequentes. A vacinação de recuperados mantém-se, porém, não entram na primeira fase de vacinação uma vez que o número de vacinas é limitado.

A vacina não é segura
Esta foi uma das questões frequentemente levantadas dada a rapidez invulgar com que surgiram as vacinas, sendo que num cenário normal, qualquer vacina leva anos a ser desenvolvida e aprovada. A primeira vacina Covid, da Pfizer, levou menos de um ano a chegar ao mercado.

De acordo com a página oficial da DGS, a vacina é sim segura. "No desenvolvimento e aprovação das vacinas contra a COVID-19, tal como para qualquer outro medicamento, estão a ser garantidas a sua eficácia, segurança e qualidade, através de ensaios clínicos e de uma avaliação rigorosa pela Agência Europeia de Medicamentos", começa por ser explicado.

"Este processo beneficia de anos de investigação. Importa ainda realçar que o tempo mínimo durante o qual os vacinados foram acompanhados após a toma da 2ª dose, foi de oito semanas. Este período ultrapassa as 6 semanas, período durante o qual surgem habitualmente os efeitos adversos mais comuns após a toma de vacinas. Nestas vacinas, não foram observados efeitos adversos significativos numa frequência ou gravidade que coloque em causa a sua segurança".

A vacinação trava a propagação do vírus
Ainda não há dados suficientes que sustentem esta afirmação. O que se sabe é que os ensaios clínicos revelaram que as vacinas são eficazes na prevenção de doenças graves, necessidade de hospitalização e ainda são capazes de evitar a morte.

Israel, o país com maior número de pessoas vacinas contra a Covid-19, revelou que as transmissões têm vindo a cair a pique nos últimos dias. Porém, como as vacinações foram feitas ao mesmo tempo em que decorria o confinamento, não é claro se este abrandamento de casos se deve à vacina ou ao confinamento, ou até a uma combinação de ambos os factores. 

Um grupo de cientistas da Universidade de Oxford avança que houve uma queda de 67 na transmissão da Covid-19 após a administração da primeira dose da vacina da AstraZeneca.

Tudo indica que a vacina possa, pelo menos, abrandar a transmissão do vírus, mas os dados ainda não são suficientes para afirmar isso com certezas. 

Posso escolher que vacina tomar
Atualmente existem no mercado três vacinas aprovadas: a vacina da Pfizer, da AstraZeneca e Moderna. As doses são limitadas e vão chegando aos vários países gradualmente.

Dado o número limitado de vacinas, e de forma a não atrasar as vacinações, não será possível escolher qual a vacina a tomar. 

A DGS explica que não há diferenças entre as vacinas que possam concluir que uma é melhor que a outra e, por isso, as vacinas serão administradas consoante as que estiverem disponíveis. 

"Todas as vacinas mais adiantadas nos ensaios clínicos apresentaram resultados preliminares que demonstram ser eficazes contra a COVID-19. Uma vez que presentemente não existe informação suficiente que permita considerar que uma vacina é melhor que outra, ou diferença nas suas indicações, prevê-se que a vacinação possa decorrer de acordo com as prioridades definidas, de modo a proporcionar acesso à vacina a todas as pessoas que mais dela necessitam, de forma eficiente", lê-se na página da DGS.

A vacina é inútil para maiores de 65 anos
Alemanha, França, Suécia e Suíça não aprovaram a vacina da AstraZeneca para maiores de 65 anos. A DGS anunciou esta segunda-feira que esta vacina em particular só deve ser administrada em pacientes até aos 65 anos. 

A justificação está na falta de dados sobre a eficácia desta em maiores de 65. 

A DGS adverte, no entanto, que "em nenhuma situação deve a vacinação de uma pessoa com 65 ou mais anos de idade ser atrasada" se só estiver disponível esta vacina.

Os cientistas no Reino Unido garantem, por sua vez, que os testes indicam que a vacina provoca uma forte resposta imunológica nessa faixa etária.

Nesta questão, as dúvidas ainda são mais do que as certezas e por isso ainda está a ser analisada.

As vacinas alteram o ADN 
As vacinas da Pfizer e Moderna pertencem a uma nova geração de vacinas conhecidas como vacinas de mRNA.

O RNA está intimamente relacionado com o ADN e está presente em todas as células vivas, informando quais proteínas produzir.

Para produzir uma vacina de RNA, os cientistas inserem uma versão sintética do RNA do vírus que leva o corpo a produzir a proteína spike. Consequentemente o corpo desenvolve uma resposta imunológica e produz anticorpos para combater o vírus.

Andrew Preston, do Departamento de Biologia e Bioquímica da Universidade de Bath, no Reino Unido, explica que a ideia de que a vacina muda o ADN da pessoa vacina é falsa. "As vacinas simplesmente introduzem uma proteína extra à qual o corpo responde", esclarece.

"Não é nem um talvez [que as vacinas alterem o DNA]. As vacinas são completamente desprovidas da função de integração no nosso ADN e isso é deliberado", conclui.

Muitos efeitos secundários
É falsa a ideia de que as vacinas produzam efeitos secundários graves. À semelhança da vacina da gripe, as vacinas Covid podem sim produzir efeitos secundários, no entanto, estes são leves e passageiros.

A DGS enumera alguns dos possíveis efeitos secundários após a toma da vacina: dor no local de injeção; fadiga; dor de cabeça; dor muscular; calafrio; dores articulares; febre.

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