“A atenção é um músculo mental, é preciso exercitá-lo”

Foi há mais de 20 anos que Daniel Goleman lançou um livro dedicado a um conceito revolucionário: a inteligência emocional. Atualmente corre o mundo para falar de educação, liderança e meditação – planetas que giram à volta das emoções.
Por Beatriz Silva Pinto 15 de Dezembro de 2019 às 15:45

Quando era mais novo, queria ser médico. Mas depois de um desamor com a Bioquímica, descobriu a sua verdadeira paixão: a Psicologia. Hoje, Daniel Goleman, de 72 anos, é considerado o "pai da inteligência emocional", por ter sido um dos pioneiros a afirmar que a forma como reconhecemos e gerimos as emoções é tão importante como o QI. Com um bestseller internacional sobre o tema e mais de uma década de jornalismo de ciências comportamentais no New York Times no currículo, Goleman dá palestras pelo mundo sobre a importância da inteligência emocional nos negócios e na educação. Paralelamente, há décadas que pratica e estuda a meditação, tema do livro, Traços Alterados.
 

Acredita que as escolas devem trabalhar a literacia emocional, além das disciplinas de ensino regular. É possível que esta aprendizagem coexista com o sistema de avaliação atual, que põe a média acima de tudo?
As escolas de topo da América, que melhor preparam os alunos para a faculdade, compreendem a importância desta aprendizagem além da excelência académica. O que elas tentam fazer é dar uma educação completa. Querem que a criança se desenvolva emocional e socialmente, não querem que ela seja apenas boa a Matemática. Porque se és bom a matemática, mas não és boa pessoa, vais ser um desastre para qualquer empresa. E ninguém vai querer casar contigo. [Risos]

Já se comprovou que o programa de Aprendizagem Emocional e Social [SEL program], além de tornar os jovens mais bem-comportados, melhorou os resultados académicos. Então, porque é que o programa ainda não é "regra" em todas as escolas?
As decisões tomadas nas escolas acerca do que as crianças devem estudar não são necessariamente baseadas em provas empíricas – e isso é um problema. Mas há cada vez mais escolas a adotar o programa e já há mais de 10 milhões de crianças inseridas nele. Alguns estados da América já o aplicaram em todas as escolas e também já chegou ao Reino Unido. Isto não quer dizer que esteja a ser bem feito, mas ao menos a intenção está lá.

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