Cancro do colo do útero pode estar perto da erradicação total

O Reino Unido acredita que está prestes a erradicar esta doença através do programa de vacinação e de um programa público de rastreio ao HPV.
Por Diogo Barreto / SÁBADO 20 de Janeiro de 2020 às 10:05
Vacinação
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O cancro do colo do útero pode ser eliminado, garantem especialistas ingleses. Uma combinação efetiva do programa de vacinação e do acompanhamento por parte do serviço nacional de saúde (NHS) são as principais ferramentas para a erradicação desta doença. O NHS começou recentemente a testar todas as mulheres para o Vírus do Papiloma Humano (HPV), que pode evoluir para aquele tipo de cancro em alguns casos. 

Todos os anos morrem cerca de 850 mulheres por ano no Reino Unido devido a cancro no colo do útero. E apesar de a vacina do HPV estar disponível há muitos anos naquele país, surgiu agora uma orientação para que sejam feitos testes regulares às mulheres para procurar este vírus. Caso seja verificada a presença de HPV, será feita uma recolha de amostras para procurar vestígios de cancro.

"O rastreio pode ser a forma mais eficiente de proteger as mulheres contra o cancro do colo do útero e não há dúvidas de que esta nova forma de monitorizar a doença pode ajudar a salvar vidas", garantiu o diretor nacional para o cancro, Peter Johnson, citado pelo jornal The Guardian. O médico acrescentou que é agora essencial que as pessoas marquem consultas para serem testadas. 

"Combinando o sucesso da vacinação para o HPV, tanto em rapazes como em raparigas, a nossa esperança é que o cancro do colo do útero seja erradicado de vez pelo serviço nacional de saúde em Inglaterra. A esta evolução adicionamos ainda uma cada vez maior taxa de resistência a esta doença, mas podemos sempre fazer mais e é o que estamos a fazer", acrescentou. 

O NHS acredita mesmo que pode vir a prevenir um quarto dos 2.500 casos detetados anualmente em Inglaterra. E os números registados devem vir a decair à medida que aumenta a percentagem de mulheres vacinadas. 

Apesar de no Reino Unido esta erradicação estar perto, o mesmo não se verifica em alguns países em desenvolvimento, onde a vacinação não é geral e não há programas de exames de rastreio. "O dia em que o cancro do útero é uma doença do passado é aquele que devemos querer atingir o mais rapidamente possível", disse Robert Music, o líder da associação Jo’s Cervical Cancer Trust. 

Portugal ainda longe

Portugal é o país da Europa Ocidental com a taxa de incidência mais elevada de cancro do colo do útero. Todos os anos são diagnosticados cerca de mil novos casos.

Quando diagnosticado precocemente, o cancro do colo do útero é um dos carcinomas com maior potencial de prevenção e cura, chegando a perto de 100%.

Mas, nem todos os casos são detetados na fase precoce. Os dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que em 2018 morreram 225 mulheres de tumor maligno do colo do útero, o que traduz uma subida de 7% face a 2017.

Uma realidade que, na próxima década, deverá ter uma transformação radical perante o objetivo de ser cumprido o compromisso estabelecido pela Organização Mundial de Saúde que definiu como meta a eliminação do cancro do colo do útero até 2030. Para a concretização do objetivo, Portugal fez uma forte aposta na vacinação.

Atualmente, mais de 90% das mulheres portuguesas até aos 27 anos estão vacinadas contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV). O recente alargamento da vacinação gratuita aos rapazes representa uma evolução importante para reduzir a incidência da infeção por HPV.

O cancro do colo do útero está associado a uma infeção persistente por um tipo de Papilomavírus Humano de alto risco, que não foi detetada e tratada precocemente.
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