Uma experiência no país que é Champions das quarentenas

Uma experiência no país que é Champions das quarentenas
Lucília Galha 01 de julho de 2020

Catarina Augusto não quis regressar a Portugal quando a pandemia chegou. Ficou confinada em Buenos Aires, na Argentina, onde se encontra a fazer um estágio profissional, e não se arrepende. A forma que tem de conhecer a cidade é fazer "visitas turísticas a supermercados e cafés".

Catarina Augusto, 27 anos, gosta de pensar que é mais casmurra do que o vírus. Nem sempre consegue ter esse mindset, sobretudo porque se encontra no país que, segundo palavras da própria, é o "Champions das extensões da quarentena". Está desde 28 de fevereiro de 2020 em Buenos Aires, na Argentina, ao abrigo do INOV Contacto – um programa de estágios internacionais promovido pela Agência para o Investimento e Comércio Externo em Portugal.

O confinamento ali nunca chegou a terminar, e agora até parece estar a regressar ao início. Os casos recomeçaram a aumentar, sobretudo nos bairros mais pobres da capital argentina. As escolas nunca chegaram a abrir, nem os cabeleireiros, os jardins ou as esplanadas. Os transportes públicos destinam-se apenas a quem tem de ir trabalhar presencialmente (não é o seu caso, está em teletrabalho) e a polícia controla quem tem essa permissão através de uma app. O ritual diário das palmas às 21h persiste, e quando os casos crescem muito ou morre algum profissional de saúde, intensifica-se.

As crianças só podem sair para passear ao fim de semana e, para quem quer fazer jogging, há regras a cumprir: "Só se pode correr desde as 19h até às 8h e sai-se consoante os últimos números do bilhete de identidade. Os pares só podem sair nos dias pares e os ímpares, nos dias ímpares. É uma forma de não haver muitas pessoas a sair ao mesmo tempo", conta à SÁBADO a mestre em engenharia da energia e do ambiente.

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