Serpa. O charme de uma terra forte

Equipada tanto para o repouso quanto para o movimento e com riqueza histórica e gastronómica, Serpa impõe-se como um destino apetecível do Baixo Alentejo.

De uma antiga casa e vacaria se fez um pequeno mas ambicioso projeto turístico. A discrição da fachada não poderia contrastar mais com o conforto, o bom gosto e o luxo (sem ser ostensivo) que encontramos numa rua sem história, onde o tradicional e o moderno se cruzam e somos recebidos por tetos altos abobadados, tijoleira antiga e paredes caiadas.

Eis a Casa do Xão, antigas instalações agrícolas de uma família com raízes em Serpa. Onde antes se alimentavam as vacas fizeram três das cinco suítes, estas com acesso direto ao pátio que liga a um jardim fértil em ciprestes, laranjeiras, oliveiras e alfarrobeiras - a dividir as duas áreas está o refrescante tanque com a bica que nunca para de jorrar água (em circuito fechado). Convém ir com cautela: durante a estadia é real o risco de não querer deixar a Casa do Xão e assim falhar as atrações gastronómicas de Serpa, como a cerveja que parece nunca perder pressão da Lebrinha, misterioso caso de terroir aplicado à imperial - é preciso prová-la para se perceber.

Bem fomos avisados de que vegetarianos e abstémios não teriam muito com que se entreter nesta "terra forte". Enraizadas na tradição e sem medo de cultivar excessos, as cozinhas serpenses são um deleite para o paladar tanto quanto a perdição na balança - um preço que estávamos, ainda assim, dispostos a pagar.
No Café Engrola, perto dos limites da cidade, o tomate foi serventia da casa: à excelente tomatada alentejana junta-se o gaspacho bem fresco, depois de uma entrada farta de fígado, queijos de cabra, enchidos e orelha de porco.

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