O crítico sugere 6 novos livros escritos por mulheres

Eduardo Pitta 18 de dezembro de 2020

Há autoras a descobrir: duas francesas em registo autobiográfico, a história de Agustina, uma fantasia argentina, uma fábula sobre solidão e uma imigrante que escapa aos clichés.

À beira de completar 48 anos, a francesa Vanessa Springora (n. 1972), editora da Julliard, publicou Consentimento, primeiro e único livro que escreveu, logo premiado com o prémio Jean-Jacques Rousseau para literatura autobiográfica. A onda de choque atingiu os leitores não familiarizados com os interditos do demi-monde, mas não surpreendeu o meio literário. Poucos ignoram que Gabriel Matzneff gosta de rapariguinhas (e rapazinhos), preferência documentada ao longo da obra, razão pela qual as revelações de Springora acrescentam pouco. Perturba descobrir os detalhes da intensa ligação sexual (consentida) que os uniu, ela com 14 anos, ele com 49, mas literatura não é sinónimo de moral. Além do prémio, Consentimento vendeu cerca de 100 mil exemplares.

Entretanto, os livros de Matzneff, hoje com 84 anos, foram retirados de muitas livrarias francesas, em especial o ensaio Les Moins de Seize Ans (1974). Vanessa Springora resume: escrevi para "apanhar o caçador na sua própria armadilha, prendê-lo num livro". Valeu a pena?

Acaba de ser traduzido o romance mais recente de Mariana Enriquez (n. 1973), a argentina que adapta ao imaginário sul-americano a tradição gótica, cruzando fantasia e horror. Retrato cru da ditadura militar argentina, o novo livro, A Nossa Parte da Noite, não constitui exceção. O facto de misturar médiuns, satanismo, masmorras ou rituais de sexo não belisca a descrição da tragédia em que o país viveu mergulhado.

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