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Mais de 270 membros do clero abusaram de quase mil crianças em três dioceses de Massachusetts

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Muitas das pessoas identificadas no relatório já morreram, no entanto a procuradora-geral sublinhou que as limitações legais não diminuem a gravidade das conclusões e a necessidade de saber o que aconteceu.

Foi preciso uma investigação de mais de sete anos para ser possível identificar os mais de 270 membros do clero católico autores de abusos sexuais contra quase mil crianças ao longo de várias décadas nas dioceses de Fall River, Springfield e Worcester, no estado norte-americano de Massachusetts.  

Mais de 270 membros do clero católico foram identificados
Mais de 270 membros do clero católico foram identificados DR

“As provas recolhidas durante esta investigação mostram que, durante décadas, e sobretudo antes de 2002, os responsáveis da Igreja nas três dioceses tinham conhecimento dos abusos sexuais de crianças, mas não tomaram medidas eficazes para os impedir nem para analisar as falhas institucionais da liderança que levaram à vitimização de dezenas de crianças às mãos de padres abusadores”, refere o relatório da procuradora-geral do estado, publicado pela .  

A procuradora-geral, Andrea Joy Campbell, apelou às dioceses e à Igreja Católica para que adotem as recomendações do relatório de forma a “implementarem mudanças significativas para reforçar a proteção das crianças e melhorar a resposta às denúncias de abusos”.  

Campbell explicou que “os padres gozavam de uma enorme confiança nas suas comunidades e os que cometeram abusos aproveitaram-se dessa confiança”. Assim “usaram a sua autoridade e o acesso que tinham às crianças para abusar delas”.  

A procuradora referiu que muitas das vítimas “continuam a lidar com o trauma ainda hoje” e que esperaram muitos anos para a divulgação das conclusões: “Compreendo a frustração que acompanha essa espera. Espero que o dia de hoje [passada quarta-feira] seja um passo significativo em direção à verdade, à responsabilização e à recuperação que as vítimas merecem”, afirmou.  

Muitas das pessoas identificadas no relatório já morreram, no entanto, o gabinete da procuradora-geral sublinhou que as limitações legais não diminuem a gravidade das conclusões. “Embora a lei penal não possa fazer justiça a todos os sobreviventes atualmente, o gabinete continua a ter a responsabilidade de dizer o que aconteceu”, conclui o relatório. 

Até ao momento, apenas a diocese de Worcester respondeu publicamente ao relatório. Através de um comunicado afirmou que vai analisá-lo “para identificar quaisquer melhorias adicionais que possam ser feitas na resposta às vítimas de abusos passados e para continuar a reforçar a segurança das crianças”. Não houve um pedido de desculpas, mas sim a recordação de uma declaração feita em 2022 pelo bispo Robert J. McManus, que afirmou estar “profundamente arrependido pelos abusos de menores cometidos por padres” da diocese.  

Em 2002 o Boston Globe publicou uma investigação que expôs os casos de abuso sexual na arquidiocese de Boston. Na altura, a cobertura do jornal desencadeou outras investigações nos Estados Unidos e noutros países que foram capazes de expor casos semelhantes de abuso sexual na Igreja Católica.  

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