Dino d'Santiago: "É a arte que nos dá alento nos dias sombrios"

Dino d'Santiago: 'É a arte que nos dá alento nos dias sombrios'
Pedro Henrique Miranda 06 de junho de 2020

Depois do sucesso internacional de Mundu Nôbu, Dino d’Santiago retorna com Kriola, editado em pleno estado de emergência. Apresenta-o ao vivo a 6 de junho no Campo Pequeno. Leia a entrevista.


Dino d'Santiago poderia ter ino ficado parado a apreciar os louros de Mundu Nôbu, o seu segundo disco - que chamou a atenção do mundo e gerou um furor que não se via desde os Buraka Som Sistema -, mas não o fez: enquanto trabalhava na digressão de Madame X, de Madonna, que o elegeu como seu protegido e a quem Dino mostrou a caldeirada de sons que fervilhavam em Lisboa, começou imediatamente a gravar o que viria a ser Kriola, mais ambicioso e diversificado mas com o mesmo gosto pelos ritmos de África e do mundo.

O lançamento do álbum sempre esteve programado para esta altura?
Durante 13 meses estive em Londres a gravar o disco em segredo. Ao construir o Mundu Nôbu, juntei uma família tão incrível de produtores que em janeiro de 2019 já estávamos a gravar o Kriola. Mas o processo foi lento, tive o Festival da Canção pelo meio e acabámos por lançar o Sotavento [EP, 2019] antes. A intenção era lançar o disco de surpresa em Cabo Verde, a 17 de abril, mas antecipámo-lo devido à situação atual.

Em que difere Kriola de Mundu Nôbu?
O Mundu Nôbu procurou levar o mundo moderno a Cabo Verde, colocar os produtores contemporâneos a beber da energia da morna e da coladeira e, depois, reproduzi-las com um som eletrónico. No Kriola foi o processo inverso: levei Cabo Verde ao mundo, ao grime londrino, ao ozonto, que vem de Lagos [na Nigéria], à eletrónica de Berlim - e Lisboa é o epicentro de todo esse som. O álbum é fruto de toda essa aculturação.

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