Como é a vida de um adulto hiperativo

Como é a vida de um adulto hiperativo
Vanda Marques 13 de fevereiro de 2020

André Carvalho faz parte dos 2,5% dos adultos que têm Perturbação de Hiperatividade de Défice de Atenção. Tem mais probabilidade de acidentes, consumos excessivos e diz ser difícil manter relações.

Não dei por nada. Como acontece muitas vezes. Sou um day dreamer. Sempre distraído a pensar em mil coisas. Na escola, logo no primeiro ano, o professor disse aos meus pais que deviam levar-me ao médico. "A cabeça dele não está cá. Deve precisar de ter vitaminas para o cérebro", atirou. Receitaram-me Centrum. Não fez nada. Sempre me distraí muito. Era sossegado, mas sempre o último da turma a perceber as piadas. Não me concentrava, nem prestava atenção: quando ouvia todos a rir, ria-me também e quando o professor olhava, já só restava eu a rir. Era repreendido e apontado como o culpado.

A conduzir a situação agrava-se. Daquela vez nem reparei na enorme mancha de óleo na estrada, no IP3, entre Viseu e Coimbra. De repente, fiz um pião e quando olhei estava virado em sentido contrário e só via um carro a vir na minha direção. Não sei como é que aquela senhora se desviou… mas não me bateu. Quando tentei controlar o carro, embati no separador central. O carro ficou todo partido, mas não me magoei. Foi a polícia que me ajudou a retirá-lo da estrada - ainda andava. Fui ao volante a conduzi-lo e aproveitei para ligar ao meu pai. Os polícias ainda me disseram: "Então, mas você está a falar ao telefone e a conduzir à nossa frente?" Nem pensei. Ainda não estava medicado.

Como tenho PHDA, sofro sobretudo de Défice de Atenção e de alguma impulsividade. A hiperatividade é mais comum nas crianças - como os tiques de movimento. Nos adultos o mais comum é desaparecer. Tenho de tomar um psicoestimulante todos os dias de manhã, em jejum, assim quando saio de casa já está a fazer efeito. É o que me ajuda a focar.

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