Cláudio Torres: "Mértola tornou-se grandiosa porque houve aqui uma corrida ao ouro há 2700 anos"

Cláudio Torres: 'Mértola tornou-se grandiosa porque houve aqui uma corrida ao ouro há 2700 anos'
Carlos Torres 24 de fevereiro de 2018

"A arqueologia dá-nos a história pela tripa", diz Cláudio Torres. O especialista em cultura islâmica fala da lenta conversão dos cristãos e do repovoamento da Península Ibérica.

Cláudio Torres contorna uma parede em ruínas no bairro almóada do século XII, junto ao castelo de Mértola, e ao desviar-se de um buraco avisa o fotógrafo da SÁBADO: "Cuidado para não cair na latrina". A seguir, ri-se e exclama: "Só o estou a alertar para não se aleijar, porque essa latrina tem centenas de anos, já só há merda fossilizada. Mas essa merda é muito importante, porque ajuda-nos, por exemplo, a perceber o que é que as pessoas comiam ou que tipo de castas de uvas é que existiam aqui".

Hoje com 78 anos, Cláudio Torres anda a escavar Mértola desde 1976. O arqueólogo instalou-se em definitivo com a mulher e as filhas na vila alentejana em 1985. Fundador e director do Campo Arqueológico de Mértola (trabalho que lhe valeu, em 1991, o Prémio Pessoa), é um dos mais conceituados investigadores da civilização islâmica no Mediterrâneo.

Em entrevista à SÁBADO, a propósito da edição 711 (o ano, segundo a História, que marca o início do domínio islâmico na Península Ibérica), o arqueólogo aproveita para desfazer vários mitos das invasões muçulmanas e da reconquista.

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