12 horas na unidade de cuidados intensivos do Hospital Curry Cabral

12 horas na unidade de cuidados intensivos do Hospital Curry Cabral
André Rito 06 de maio de 2020

É na UCI que se travam as maiores batalhas pela sobrevivência à Covid-19. Em abril, a SÁBADO acompanhou os profissionais de saúde que procuraram salvar vidas e cruzou-se com o caso de Johirul Islam, que morreu esta terça-feira.

Quando acordaram do coma induzido, Teresa e o marido estavam nos Cuidados Intensivos do Hospital Curry Cabral, em Lisboa. Tinham viajado para Itália onde contraíram o novo coronavírus. Sinalizados pela linha SNS 24, acabaram internados de urgência e foram transferidos para a unidade na qual são tratados os casos mais graves da Covid-19. O homem já teve alta, mas a mulher continua a lutar pela vida. É a paciente há mais tempo no serviço: está há 22 dias em ventilação.

A Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) é o fim de linha no combate à pandemia. Tem uma taxa de mortalidade na ordem dos 20%. Ou seja, em cada 10 casos, dois não sobrevivem. No Curry Cabral, a média é ligeiramente melhor: "Na pandemia estamos nos 19%", afirma à SÁBADO o diretor da UCI, Nuno Germano, que lidera uma equipa de oito clínicos, entre especialistas de medicina interna e intensivistas.

Na atual fase de contingência, a segunda numa escala de seis, o serviço tem uma capacidade máxima de 14 camas, 12 das quais estão ocupadas por doentes infetados pelo SARS-CoV-2. O restante balanço é simples: desde o início do surto deram entrada 35 doentes, três já estão em casa, dois morreram devido a complicações respiratórias provocadas pela Covid-19, os restantes voltaram para a enfermaria. As vítimas mortais tinham mais de 70 anos, problemas de asma grave, insuficiência renal crónica, doença coronária.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui
Investigação
Opinião Ver mais