O consumo de gasóleo e gasolina passou de 564 mil toneladas em julho para 506 mil toneladas em agosto.
O consumo de combustíveis rodoviários caiu 10,3% em agosto face a julho, enquanto o preço médio do gasóleo subiu 6,4% e o da gasolina simples 95 1,2%, segundo dados da DGEG.
Consumo de combustíveis cai 10,3% em agosto e preços sobem até 6,4%Direitos Reservados
De acordo com as estatísticas rápidas dos combustíveis fósseis publicadas pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), o consumo destes combustíveis passou de 564 mil toneladas em julho para 506 mil toneladas em agosto.
A descida foi sobretudo explicada pelo gasóleo, cujo consumo recuou de 422 mil para 362 mil toneladas, uma quebra de 14,2%. Já a gasolina simples 95 registou uma ligeira subida, de 125 mil para 126 mil toneladas.
A redução do consumo ocorreu num mês de nova subida dos preços. O preço médio do gasóleo rodoviário aumentou de 1,907 euros por litro em julho para 2,029 euros em agosto, enquanto a gasolina simples 95 passou de 1,943 para 1,966 euros por litro.
A diferença é ainda mais expressiva quando a comparação é feita com fevereiro, mês em que começou a atual escalada do conflito no Médio Oriente. Desde então, o preço médio do gasóleo aumentou 27,8% e o da gasolina simples 95 subiu 17,2%, segundo cálculos da Lusa com base nos dados mensais da DGEG. Os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel ao Irão começaram em 28 de fevereiro.
Os preços dos combustíveis continuam sob pressão num contexto marcado pela guerra no Médio Oriente, pelas fortes restrições à navegação no estreito de Ormuz e pelos ataques a refinarias russas no âmbito da guerra na Ucrânia. A Agência Internacional de Energia (AIE) classificou a perturbação da oferta provocada pelo conflito no Médio Oriente como a maior da história do mercado petrolífero mundial.
O estreito de Ormuz é uma das principais rotas energéticas mundiais. Em 2025, passaram por essa via cerca de 25% do comércio marítimo mundial de petróleo e 19% de gás natural liquefeito (GNL), segundo a AIE.
Também a cotação do petróleo evidencia essa pressão. Tendo em conta os mesmo dados da DGEG, o Brent passou de 53,17 euros por barril em fevereiro para 78,56 euros em agosto, o que representa uma subida de 47,8%. Só entre julho e agosto, a cotação aumentou cerca de 28%.
Apesar da quebra registada no mês de agosto, a evolução em ano-móvel continua positiva. Nos 12 meses terminados em agosto, o consumo de combustíveis rodoviários aumentou 2% face ao período homólogo do ano anterior.
"Os consumos de GPL auto, gasolina IO98 e gasolina IO95 e gasóleo aumentaram 14,6%, 5,0%, 4,4% e 1,0%, respetivamente", detalha o documento, relativamente ao ano-móvel.
No que diz respeito aos preços, em agosto de 2026 face ao mesmo mês de 2025, o preço médio de venda ao público do gasóleo rodoviário subiu 30,2% e o da gasolina simples 95 aumentou 15,8%.
No conjunto dos combustíveis fósseis, o consumo global em ano-móvel aumentou 2,7% em agosto face ao período homólogo de 2025, com o consumo de gás natural a crescer 4,2% e o de produtos petrolíferos 2,1%.
Já na próxima semana, o preço por litro do gasóleo e da gasolina deverá descer cerca de três cêntimos, de acordo com as estimativas divulgadas hoje pelo Automóvel Club de Portugal (ACP) e pela Anarec.
A variação final está, no entanto, dependente do valor do fecho de hoje.
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