Notícia

Segurança

Operação Fizz: Cândida Almeida “nem sabia quem era Manuel Vicente”

08.02.2018 13:50 por Leonor Riso
Dossiê acerca do processo que envolvia Manuel Vicente e a compra de apartamentos de luxo no Estoril extraviou-se, assumiu antiga directora do DCIAP.
Foto: Cofina Media
Foto: Cofina Media
Foto: Cofina Media

Cândida Almeida

Cândida Almeida, ex-directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, começou hoje a ser ouvida em tribunal no âmbito do julgamento da Operação Fizz. Recordou que em 2009, foi subscrito um acordo para magistrados angolanos "que iam criar um departamento idêntico ao DCIAP". "Éramos nós que íamos fazer a formação. Um programa de três meses a tempo inteiro. Assim, pedi a três magistrados, entre eles Orlando Figueira, para fazer essa formação", começou.

Almeida afirmou ainda que "nem sabia quem era o Manuel Vicente", ex-vice-presidente de Angola, e que "Orlando Figueira era um magistrado competente".

Paulo Blanco, advogado de Angola, "acompanhava o senhor procurador-geral de Angola em reuniões sobre a formação".

Na altura, Angola desistiu de uma queixa sobre o Banif, que até já tinha buscas agendadas. "Eu terei desabafado… não me lembro com quem: estão a utilizar os tribunais portugueses para resolver os seus assuntos e depois deixam as investigações a meio", lamentou Almeida. O Procurador-Geral de Angola confrontou-a com isso. "Apresentou-me uma lei de Angola a dizer que recebia ordens directamente do presidente."

pub

A antiga procuradora revelou ainda que o dossiê de acompanhamento do processo que originou a Operação Fizz desapareceu quando o DCIAP mudou de instalações em 2015. Cândida Almeida explicou que não lhe provocou estranheza o arquivamento do processo relativo à compra de um apartamento de luxo no Estoril por Manuel Vicente, porque este apresentou ao DCIAP comprovativos de rendimentos que demonstravam que podia comprar "dois apartamentos num ano".

Contudo, Almeida achou "estranhíssimo" que Figueira tivesse devolvido os comprovativos de rendimentos a Vicente, retirando o ex-vice presidente do processo. A folha que legitima a devolução dos documentos não estava assinada pela procuradora que costumava assessorar Orlando Figueira, Teresa Sanchez.


pub
pub