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Política

Ferro Rodrigues saúda amigo que "lutou até ao fim"

11.01.2017 15:47 por Leonor Riso
Presidente da Assembleia da República foi o primeiro a discursar no Parlamento, durante a sessão solene de homenagem ao antigo Presidente da República
Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

A sessão solene de homenagem a Mário Soares está a decorrer no Parlamento. Nas galerias, assistem familiares do antigo Presidente da República, como Isabel Soares e os netos. Também Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, se encontra nesta cerimónia. Enquanto deputado, João Soares está na bancada socialista.

Primeiro falou Duarte Pacheco, secretário da Mesa do Parlamento, sobre algumas formalidades. O primeiro a intervir na sessão foi Ferro Rodrigues, enquanto Presidente da Assembleia da República (AR), que salientou a "tensão e emoção" que sentia enquanto amigo particular de Mário Soares. Antes de ler o voto de pesar, exprimiu "as saudades e a solidariedade com a família" e o facto de Soares ser um dos responsáveis por um Parlamento democrático.

Ferro Rodrigues destacou, no voto de pesar, o sentimento de perda, "mas o exemplo perdura". O Presidente da AR garantiu que o legado de Soares é onde "as novas gerações vão encontrar inspiração para novos desafios", sendo uma marca "de coragem política, patriotismo democrático e abertura ao mundo".

"As corajosas actividades de oposição à ditadura valeram-lhe a prisão, deportação e exílio. O lema de vida foi sempre o mesmo: ‘só é vencido quem desiste de lutar’", recordou Rodrigues. "Lutou até ao fim e deixa um exemplo de cidadania política", salientou.

Para Rodrigues, a liberdade era a causa do antigo Presidente da República, que tinha "a visão dos grandes estadistas" e "antecipava grandes movimentos do seu tempo". "Foi antifascista durante a ditadura e anticolonialista quando a ditadura se dizia ‘orgulhosamente só’."

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Graças a Soares, "o país inteiro acabou por apanhar o Comboio da Liberdade". Ferro salientou ainda os seus feitos políticos: que enquanto primeiro-ministro, Soares tinha criado as bases do Estado Social e da adesão à CEE; e que como Presidente da República, "prestigiou o Estado português e os entendimentos que temos hoje do cargo presidencial".

"Mário Soares era um democrata português e nesse sentido um cidadão aberto ao mundo", reconheceu Ferro Rodrigues. "Mesmo enquanto secretário-geral do PS não hesitou em ficar quase só para defender o seu pensamento sobre Portugal e a democracia."

"Cometeu erros certamente, mas sempre entendeu a actividade democrática como apaixonante, assente em escolhas claras e convicções. Todos estiveram uma vez ao lado dele ou contra ele", disse. "Se Portugal se distingue pela coesão nacional, muito deve a Mário Soares."

Santos Silva enumera os ensinamentos de Soares

O ministro dos Negócios Estrangeiros, que representa o Governo enquanto António Costa se encontra na Índia, destacou os ensinamentos de Mário Soares a Portugal. Foi o segundo a discursar.

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Entre eles, encontra-se o pressuposto "que os homens e as mulheres são livres e iguais em direitos quanto à vida e à dignidade humana, à protecção da lei e ao acesso à justiça, a cidadania ao lado das pessoas e da soberania popular, as eleições livres e justas", disse Santos Silva.

O ministro referiu que estes direitos "representam as condições mínimas para uma sociedade forte e Estado de Direito", e que a democracia era a forma política "de constituição da sociedade que formamos, onde possamos sentir-nos representados e participantes".

O n.º2 do Governo também evocou o respeito pelo pluralismo, pelas minorias, e a promoção da cidadania e desenvolvimento social, "promovendo a realização dos direitos e aspirações das pessoas ao trabalho, ao bem-estar, e à cultura".

Soares também ensinou que "democracia e integração europeia significam na prática a mesma coisa", segundo Santos Silva, que ainda enumerou outras lições: "Que a democracia é um combate em empenhamento constante com os valores, (…) que a política é uma nobre e imprescindível função pública (…), que é sobre o pluralismo e a diversidade que se ergue em democracia a identidade nacional (…)."

Além disso, o ministro recordou o "direito à dissidência e à rebeldia contra ortodoxias, donos da verdade e polícias do pensamento".

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"A liberdade e que para desenvolver Portugal é preciso estudar Portugal e os portugueses, acarinhar os seus artistas, calcorrear o território com as suas pessoas, abrir Portugal ao mundo, amar o povo e fazer da melhoria da sua condição o princípio de todos os dias. Isto nos ensinou Mário Soares e por isso lhe devemos tanto", concluiu Santos Silva. 


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