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"Bloco luta por ser determinante no Governo de que faça parte"

04.09.2018 07:13 por Lusa
Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do Bloco de Esquerda, mostrou-se convicto de que é no "diálogo com outras forças" que se pode "chegar a melhores soluções".
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Pedro Filipe Soares geral Bloco de Esquerda
O líder parlamentar bloquista assegurou hoje que o BE "não luta por estar sempre fora do Governo", assumindo disponibilidade do partido para integrar um executivo como "a força determinante", sem ser "um penacho de um qualquer Conselho de Ministros".

Em entrevista à agência Lusa a propósito do Orçamento do Estado para 2019, Pedro Filipe Soares mostrou-se convicto de que é no "diálogo com outras forças" que se pode "chegar a melhores soluções", assumindo que os bloquistas gostariam de, nas próximas eleições legislativas, "ter mais força e outra relação de forças" para poderem "ser ainda mais influentes".

"O Bloco não luta por estar sempre fora do Governo, o Bloco luta é por ser determinante no Governo de que faça parte. Até chegarmos a essa parte em que conseguiremos ser determinantes falta uma alteração de uma relação de forças que nos dê peso, em que nós não sejamos um penacho de um qualquer Conselho de Ministros", respondeu, quando questionado se a influência passava por estar dentro do Governo.

De acordo com o líder parlamentar do BE, o partido "não se move por ministros ou ministras", mas sim "por políticas e por transformação da sociedade", estando ciente de que "as escolhas que tem de fazer na relação com o poder têm de salvaguardar o presente e o futuro".

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"Nesse contexto nós estamos disponíveis para formar um Governo sendo a força determinante desse Governo. É essa a disputa que vamos fazer nas próximas eleições", avançou.

Este tema sobre as ambições futuras surgiu na entrevista quando Pedro Filipe Soares foi questionado sobre um eventual alívio por estas serem as últimas negociações orçamentais com o PS, pelo menos no formato da actual geringonça.

"Nunca tinha pensado nesses termos. Uma legislatura resulta de uma fotografia do momento de eleições. E esta fotografia disse-nos que o PS tinha um Governo minoritário, que dependia para ser Governo dos votos, por exemplo, do BE. E dizia que nós tínhamos 19 deputados e deputadas", recordou.

Assim, prosseguiu Pedro Filipe Soares, o BE tem o "anseio que na próxima fotografia, no próximo ato eleitoral" consiga "ter muito mais deputadas e deputados e ter mais força" para "ter mais capacidade de fazer valer as suas ideias" em negociações que existam "com quaisquer parceiros".

"Sabemos que os debates e os diálogos na democracia não se restringem nem a contextos políticos em particulares nem devem tornar os partidos autos suficientes, devem ser sempre plurais e dialogantes. É isso que nós fazemos", justificou.

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Esta ambição do partido tinha sido já adiantada num dos pontos da moção das principais tendências bloquistas à próxima Convenção, intitulada "Um Bloco mais forte para mudar o país", subscrita pela coordenadora nacional do BE, Catarina Martins, e também por Pedro Filipe Soares, documento que já foi conhecido em Junho. 

"Em 2019, o Bloco quer ser força de governo, com uma nova relação de forças. Um governo de esquerda dá uma garantia ao povo: defende o salário, a pensão e o emprego. Não aceita recuos, nem a precarização do trabalho, nem a redução do salário e da pensão", pode ler-se na moção.


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