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Mário Soares

Soares na clandestinidade, nunca: “Queria ter gajas, ir ao cinema, viajar”

10.01.2017 20:44 por Pedro Jorge Castro
Os bastidores da primeira campanha, em 1949, como infiltrado comunista e secretário do candidato presidencial Norton de Matos - a quem deu um desgosto no final
Foto: Sábado
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Aos 24 anos, o então militante comunista Mário Soares tornou-se uma espécie de infiltrado do PCP na candidatura presidencial do general Norton de Matos, que tinha então 81 anos – a mesma idade de Soares na sua última candidatura presidencial.

Em 1949, as sessões de propaganda deviam acabar antes da meia-noite, mas houve um comício no Teatro Avenida, em Coimbra, em que ainda faltava falar tanta gente que Mário Soares, que estava a presidir à sessão, pediu autorização para prolongar mais meia hora.

"A multidão ululante calou-se, dando lugar a um silêncio espesso, impressionante. O representante da autoridade, sentindo o peso desse silêncio, levantou-se e disse: 'Está concedida!'. E eu, do palco, retorqui: 'Uma salva de palmas para o representante da autoridade!'" O funcionário era o tenente da GNR José Sacchetti, que viria a ser subdirector da PIDE, numa das vezes em que Soares voltou a ser preso, recordou o ex-presidente no "Portugal Amordaçado", o seu livro sobre os anos da ditadura.

Os serviços da candidatura, com dactilógrafos e tarefeiros voluntários do MUD (Movimento de Unidade Democrática) juvenil, na maioria comunistas, ficaram instalados no primeiro andar de um prédio junto à Rua do Quelhas, por baixo do apartamento onde residia Norton de Matos. O jovem secretário, Mário Soares, despachava directamente com o candidato. Sem saber que ele era militante do PCP, recebia-o de manhã, ainda na cama, depois de dormir até tarde e ler o The Times, um hábito adquirido quando foi embaixador em Londres.

Soares descreveu-o a Maria João Avillez, para o livro "Ditadura e Revolução", como "um ancião venerável, bem-disposto, de carácter firme e imperioso, com uns olhos, por detrás dos óculos, lucidíssimos e divertidos, que denotavam uma imensa experiência de vida. Era um contador de histórias fabuloso, apreciador da boa mesa. Baixo, forte, sem ser gordo, tinha um rosto redondo e o andar difícil. Trajava sempre de negro."

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Um retrato de Pomar para financiar a campanha
Uma das primeiras tarefas atribuídas a Soares foi a preparação de um cartaz com o rosto de Norton de Matos, para ser exposto em todo o país. "Levei lá o meu amigo Júlio Pomar, que Norton de Matos não conhecia. O Pomar era, na altura, um jovem muito magro, feio, com imensas borbulhas, usava aqueles óculos que ainda hoje usa. O Norton, quando o viu, ficou perplexo: ‘É este o pintor?’ O Pomar nem lhe pediu que posasse, não demorou meia hora a fazer o desenho: em três traços estava ali o Norton, em corpo e alma."

O retrato foi editado aos milhares e vendido por todo o país, para ajudar a financiar a campanha, uma vez que uma circular aos homens ricos da oposição não tinha surtido grande efeito. Outra fonte de receitas foram os donativos dos anónimos que iam às sessões de campanha, e que contribuíam, respondendo ao slogan "um escudo para a candidatura".

O golpe publicitário do teatro
Um dos truques da candidatura da oposição para ampliar o impacto foi uma ideia de Manuel Tito de Morais, recordada por Soares no "Portugal Amordaçado":

"Comprámos metade da sala do Teatro Nacional, onde, nessa altura, se representava, sem brilho, uma peça de Ramada Curto, perante um público reduzido. Num camarote tomou lugar o general Norton de Matos, acompanhado da devotadíssima sobrinha, com quem vivia, e que em todas as ocasiões se mostrou solidária connosco. No primeiro intervalo, mal se acenderam as luzes, o general foi reconhecido e delirantemente aclamado pêlos amigos presentes, primeiro, e, depois, pelo público em geral. Agradeceu, impávido — e, no fundo, divertidíssimo. Claro que, no segundo intervalo, a sala apareceu literalmente ocupada por agentes da PIDE à paisana e por polícias fardados. Mas não houve incidentes. No dia seguinte o «Diário da Manhã» comentava com azedume a «coincidência» de tantas presenças oposicionistas na mesma sessão de teatro."
Os pneus furados e o cartaz do avental
Soares queixou-se de que o governo mandava furar os pneus dos carros de quem participava nas sessões de campanha de Norton, como aconteceu com a sua viatura em Loulé. E apareceram afixados um pouco por toda a parte cartazes com fotografias de Norton de Matos com o avental maçónico, uma vez que tinha sido Grão-Mestre, de forma a assustar os eleitores com o papão da maçonaria.

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Norton de Matos não fazia ideia de que a sua candidatura estava infiltrada de jovens comunistas, nem tão pouco de que o seu próprio secretário era filiado. Isto mudou por ordens do PCP. O controleiro de Soares, Armando, instruiu-o para revelar a Norton de Matos que era militante comunista e que passaria a ser o representante do PCP na candidatura.

O dilema do jovem comunista
A ordem suscitou um dilema no jovem secretário, que sabia que ia pôr em causa a boa relação que até aí tinha tido com Norton de Matos, e, pior ainda, arriscar-se-ia a ter de ir para a clandestinidade, assim que se soubesse que era filiado no PCP. E isso era algo que não desejava. Uns anos antes, já tinha recusado esse destino. "Com o meu temperamento não dava. Queria ter gajas, ir ao cinema, viajar. Tinha ambições várias, ambições literárias…", justificou a Joaquim Vieira, autor de "Mário Soares, Uma vida".


Soares cedeu aos interesses do PCP e comunicou a Norton de Matos uma meia-verdade, como se a decisão de ser militante comunista fosse recente e não já de há quatro anos. "Sabe, sr. General, nós na vida temos que tomar as nossas opções partidárias. Entendi que era chegado o momento e ser meu dever fazê-lo, e escolhi o Partido Comunista. Sucede que a direcção do Partido quer que eu o informe de que a partir de agora passo a ser, na Candidatura, representante do PCP".

O secretário nunca esqueceu o olhar profundo do general, por detrás dos óculos, procurando penetrar nos seus olhos: "Ah, sim? Não sabia que era essa a sua opção". Ficaram de voltar a falar, mas depois de almoço, quando o secretário voltou, os papéis da sua mesa tinham sido levados para o andar de cima por ordens do candidato. Foi a sobrinha que justificou: "O meu tio está muito zangado consigo, deu-me ordens para não o deixar entrai Hoje, não o quer receber!"

Soares aceitou: "Também percebo que estivesse danado… falava comigo todos os dias, em confidências, era um tipo de quem ele gostava, era amigo do meu pai; e depois eu vou dizer-lhe que sou comunista?"

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Manteve-se a trabalhar na candidatura, mas não voltou a falar com Norton de Matos, e foi proibido de ir ao comício do Porto. Só que esse corte não o ilibou aos olhos da PIDE, pelo contrário. Os dois últimos dias antes da «eleição» foram passados a queimar os arquivos da candidatura, que já se encontrava cercada por agentes da PIDE. Soares seria detido pouco depois em casa, de madrugada: "Seria a minha quinta prisão e tinha acabado de fazer vinte e quatro anos."

"Velhinho! Livra-nos desta enrascada do Salazar"
Quanto a Norton de Matos, não chegou a ir a votos, mas fez uma campanha extraordinária. A duas semanas do dia das eleições, marcadas para 13 de Fevereiro de 1949, milhares de pessoas alinharam-se ao longo da estrada entre Évora e Beja, para ver passar a comitiva, uma mulher do povo meteu a cabeça no carro que conduzia o candidato e gritou-lhe um apelo: "Velhinho! Livra-nos desta enrascada do Salazar".

No cargo estava outro "velhinho", o marechal Óscar Carmona, com 79 anos. Na reunião da cúpula da União Nacional, o partido único que suportava o Estado Novo, 19 dos 23 dirigentes votaram que devia ser Salazar o candidato do regime, por Carmona estar velho e adoentado. Apenas quatro acharam que o marechal devia candidatar-se à reeleição, conta Marcello Caetano, no livro "Minhas memórias de Salazar". Mas o ditador não estava interessado em deixar de ser Presidente do Conselho de Ministros, pelo que sorriu e pôs fim à reunião: "Meus senhores, como a única solução apresentada em alternativa é inviável, concluo que a Comissão aprovou por unanimidade a reeleição do Marechal Carmona."

Ia assim ter início a primeira campanha presidencial, o primeiro combate entre dois candidatos, 39 anos após a instauração da República e oito anos antes das primeiras emissões televisivas em Portugal.

O candidato da oposição tratou de todo o processo burocrático com enorme antecedência, 8 meses, e chamou 30 jornalistas a sua casa. Anunciou-lhes que ia concorrer à Presidência e ofereceu-lhes um cálice de Vinho do Porto, mas de nada lhe valeu. A censura apenas permitiu que saísse nos jornais portugueses uma notícia de um parágrafo: "O sr. General Norton de Matos convidou para ontem os representantes da Imprensa nacional e estrangeira, aos quais declarou as razões da sua candidatura, apresentada como de revolução contra o actual regime, e expôs o seu programa."

O relatório de um infiltrado da PIDE para o "genial Salazar"
Foi ignorado na imprensa até ao início oficial da campanha, mas a PIDE vigiava os seus movimentos: prendeu sete elementos da candidatura no fim de uma reunião à porta de sua casa e estes apenas foram libertados depois de Norton de Matos telefonar directamente a Salazar. A polícia política recebeu ordens para deixar de vigiar a casa do candidato, mas passou a recorrer a infiltrados: em Dezembro, Norton de Matos manteve uma longa conversa de duas horas com um informador da polícia política, que transcreveu o diálogo de memória num relatório secreto de nove páginas, assinado com o pseudónimo M3, com votos de que pudesse ser útil a bem do "genial Salazar".

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Nesta conversa, o candidato contou que tinha 18 comissões distritais com 180 membros, mostrou-se convencido de que conseguiria 60 a 70% dos votos e assumiu o objectivo de "deitar abaixo esta odiosa situação que fez do país um estado-polícia, acabando duma vez para sempre com essa maldita polícia política, com as suas arbitrariedades, ameaças e vexames".

Ao fim de 22 anos de Estado Novo, 16 dos quais sob liderança de Salazar, Norton de Matos centrou a campanha na falta de liberdade e defendeu a extinção da PIDE, o fim da censura e o encerramento da prisão do Tarrafal. Num livro que editou sobre a campanha, o general propôs a criação de um monumento às vítimas de violência política e a publicação, num número especial do "Diário do Governo", de todas as ordens e instruções sobre censura, bem como a divulgação dos nomes de todos os censores que trabalharam desde o início da ditadura.

Salazar decidiu que a campanha podia começar a 1 de Janeiro e só a partir daí começaram a sair notícias sobre o candidato. A censura afrouxou, mas continuava activa: não foram feitos cortes nos primeiras notícias sobre declarações do general - como disse o ministro do Interior numa entrevista a "O Século", a censura "limitou-se a dar ligeiras indicações quanto aos títulos e à sua apresentação gráfica".
Os três temas proibidos
Em cada comício ou sessão de propaganda, tinha de estar presente um representante do Governo Civil, para evitar excitações desmedidas. Segundo as Memórias de Costa e Melo, citadas no II volume da biografia de Álvaro Cunhal escrita por Pacheco Pereira, num comício em Aveiro, o funcionário fez chegar à mesa dos oradores um bilhete com três temas de que era proibido falar: "Atitude do exército, Supostas violências exercidas pelas corporações policiais, Colónia Penal do Tarrafal". Juntou ainda três interdições: não podiam fazer "Propaganda comunista, Ameaças e atitudes sediciosas, Gritos subversivos".

Norton de Matos participou apenas em cinco sessões de propaganda ao longo de toda a campanha: na Voz do Operário, em Beja, Évora e Faro, e, a mais impressionante, no Porto, no comício da Fonte da Moura, a que assistiram cem mil pessoas segundo o relato dos jornais.

Uma semana antes, também no Porto, no campo de futebol do Salgueiros, tinham aparecido 30 mil pessoas para assistir a um comício onde não estava Norton de Matos, que se limitou a enviar um representante para ler uma mensagem. Para evitar a repetição, a Federação Portuguesa de Futebol, dirigida pelo presidente da Legião Portuguesa, emitiu uma ordem para proibir novos comícios em campos de futebol.

Salazar a escrever os discursos de Carmona
O regime sentiu-se obrigado a reagir. Marcou-se então uma visita oficial do Presidente-candidato ao Porto, onde Óscar Carmona chegou de comboio e foi recebido por 250 mil pessoas, segundo a contagem generosa de "O Século". Salazar recusou candidatar-se ao cargo, mas esteve omnipresente na campanha. O seu rosto aparece ao lado do candidato nos cartazes do regime com o lema "Dois homens uma só obra". O discurso do Presidente no Porto, tal como a sua palestra na Emissora Nacional na véspera da votação e o texto que leu na tomada de posse foram escritos por Salazar (os originais manuscritos também estão na Torre do Tombo).

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Era também Salazar que escrevia as respostas às cartas do candidato da oposição, em que este se queixava da censura, mas fazia-se passar pelo seu chefe de gabinete, José Manuel da Costa, para retirar importância ao assunto. Escreveu, com a sua letra, uma carta para ser dactilografada que começava assim: "O senhor presidente do conselho recebeu a carta de V. Exª de 8 de Setembro com bastante atraso, pelo facto de se encontrar em férias longe de Lisboa e, pedindo desculpa da demora na resposta, encarregou-me de transmitir a V. Exª o seguinte:"

O ditador tinha acabado de escrever também aquele que se tornou o seu discurso mais conhecido, com a passagem "Devo à providência a graça de ser pobre". Nos dois últimos dias de 1948 e nos primeiros seis dias de 1949, Salazar gastou 31 horas a preparar esse texto, de acordo com os registos minuciosos do seu diário. Leu-o perante duas mil pessoas que se deslocaram ao palácio da Bolsa, no Porto, para assisitir à II Conferência da União Nacional – e que o ovacionaram.

As quatro instruções da campanha liderada por Marcello Caetano
A campanha de Óscar Carmona foi dirigida pelo presidente da União Nacional, Marcello Caetano, que viria a ser o sucessor de Salazar em 1968. Não se olhou a gastos (em várias eleições no Estado Novo há registos de financiamentos directos do Governo à União Nacional), pelo que nesta campanha foram impressos mais de 1,5 milhões de cartazes, editados 170 mil folhetos e comprados 27 mil exemplares de livros contra Norton de Matos escritos por Costa Brochado, ou obras de dissisidentes comunistas, como "Escolhi a Liberdade", de Kravchenko. Realizaram-se em todo o país 404 sessões de propaganda com 1622 oradores. O mais requisitado era o ministro das Obras Públicas, José Frederico Ulrich (primo afastado do presidente do BPI), com nove intervenções. Uma contabilização das obras por distritos mostrava que o Porto tinha saído beneficiado, com 101 obras, mais do dobro de Vila Real e Castelo Branco, que surgiam a seguir, com 43.


Marcello Caetano correu todos os distritos para se reunir com as estruturas locais do partido e falou com representantes de todos os concelhos. As actas das reuniões estão disponíveis na Torre do Tombo, onde a Sábado as consultou, e mostram como os caciques locais controlavam a maior parte das terras. Nalguns casos queixavam-se de algumas pessoas da oposição, transmitiam queixas, ou reivindicações.

Outros asseguravam que as eleições estavam ganhas, desde que o bispo falasse com os padres, como aconteceu por exemplo com o representante de Celorico da Beira: "É necessário que ao clero do concelho sejam dadas ordens do bispo da diocese".

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Nos arquivos da União Nacional relacionados com esta campanha, há quatro instruções dactilografadas em folhas A5 que faz sentido que tenham sido preparadas por Marcello Caetano, ou por outro alto dirigente do partido, pois destinam-se a alertar o governo para medidas urgentes que devem ser tomadas a tempo de agradar a certos interesses antes das eleições. Primeira instrução: cada ministro deve designar um delegado junto da Comissão Executiva da União Nacional, que esteja sempre pronto para rebater qualquer crítica da oposição; Segunda: "É indispensável que pelo Fundo do Desemprego seja atribuída uma verba aos Governadores Civis (250 ou 300 contos a cada distrito) para estes poderem subsidiar oportunamente e sem mais formalidades certos pequeníssimos melhoramentos rurais a que as Câmaras, por falta de receitas, não podem agora acorrer e que é do mais alto interesse político promover quanto antes". Terceira: "No Ministério das Finanças estão pendentes vários pedidos de empréstimos a Câmaras Municipais. Parece indispensável que sejam prontamente despachados (isto é no mês de Dezembro)". E ainda uma quarta instrução para os CTT resolverem ou explicarem os enormes atrasos na instalação de postos telefónicos.

52 mil mulheres a assinar o papel
Esta foi também a campanha que marcou o aparecimento massivo das mulheres na luta política. Do lado do regime, e apesar de não poderem votar todas, foi utilizada uma expressão de Norton para provocar a reacção feminina, através deste panfleto: "Norton de Matos declarou que as mulheres estão a seu lado".

Em resposta, um grande grupo de mulheres de Lisboa, sem distinção de classes, resolveu convidar todas as mulheres da capital para, nos dias 6 ou 7 do corrente mês, a qualquer hora, irem lançar o seu nome numa das listas especialmente destinadas a esse fim, afirmando que votam no sr. Marechal Carmona e portanto na ordem, na paz e na prosperidade da terra portuguesa."

Parece uma anedota, mas houve 52 mil mulheres que se deram ao trabalho de ir assinar o papel, segundo as contas do jornal "O Século".

Candidatura de Norton travada pelo PCP
A seis dias das eleições, uma reunião com cerca de 70 pessoas da candidatura, a maioria representantes do PCP, ficou decidido que não iria a votos, porque era impossível conseguir eleições justas e livres, e para não legitimar o regime de Salazar no estrangeiro. Contrariado, o general obedeceu.

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Apenas votaram 875 598 eleitores, 16% dos que deveriam ter direito a voto. À noite, milhares festejaram no Terreiro do Paço, onde ecoava o som de um altifalante do Ministério do Interior: "Já não podem ter dúvida os comunistas de que Portugal é para os portugueses."

Na véspera, segundo uma biografia escrita pelo seu sobrinho-neto José Norton, o general anotou na agenda apenas cinco palavras: "Desisti de ir às urnas." Em Benguela, Angola, onde a notícia terá chegado atrasada, foi Norton de Matos que recebeu mais votos.


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