Notícia

Mário Soares

O adeus a Soares por quem se foi despedir

10.01.2017 19:03 por Leonor Riso
Mães levaram bebés e no cemitério dos Prazeres, o jazigo ficou coberto de flores. Várias pessoas tratavam-no por tu - mas houve quem o criticasse
Foto: Alexandre Azevedo
Soares_Jerónimos
Foto: Alexandre Azevedo
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Foto: Sábado
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Foto: Alexandre Azevedo

A despedida de Soares terminou com uma enchente no cemitério dos Prazeres. Depois de terminados os directos das televisões, afastados os jornalistas, centenas de pessoas seguiram a homenagem. Mães levaram crianças, idosos arrastaram bengalas, um homem criticou Soares enquanto os mais jovens tiraram fotografias e selfies. O jazigo da família ficou coberto de rosas brancas, amarelas e vermelhas e de cravos, vermelhos.

Flores também estavam nas mãos das pessoas que foram ao Mosteiro dos Jerónimos. Antes do velório de Soares, a SÁBADO encontrou Fernando Ferreira e Patrocínia Matos, que lamentavam não poder ir ao funeral. "É muita confusão", justificou Patrocínia, que recordou o momento em que deu "dois beijinhos" ao antigo Presidente da República e a Maria de Jesus Barroso. Ao lado, Paulo Osório também nunca esqueceu "o abraço" a Mário Soares, durante o funeral de Maria Barroso. "Soares marcou a minha infância."

Ao sol, desde manhã que dezenas de pessoas se juntaram para receber Soares. Uns de propósito, outros "acidentais", como João Pinheiro e André Varela, alunos que tiveram "furo" de Português e vieram ver a cerimónia. "Sabemos que ele foi Presidente e primeiro-ministro. Fez o 25 de Abril, acho eu", acrescentou André. Desculparam o desconhecimento com a idade, sendo dos (poucos) mais novos que se despediram de Soares.

As homenagens a Soares no Mosteiro dos Jerónimos

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Cerca das 13h15, ouviram-se duas vezes palmas: uma vez depois do hino nacional a outra com a entrada do caixão na Sala dos Azulejos, nos Jerónimos. Da última vez um grito tímido ecoou: "Soares é fixe", lema que perdurou depois das presidenciais de 1986, e que até o primeiro-ministro António Costa na sua mensagem oficial.

Houve bandeiras, como as de Sónia Garcia, que acompanhou Soares "desde antes do 25 de Abril", ou Carlos Ferreira, que representava os empregados de mesa. As flores que a maioria levava ficaram nas mãos dos funcionários da agência funerária. "Vamos entregá-las à família", garantiam. À saída, um casal assumia ter esperado "meia hora, 45 minutos" para entrar; depois tomaram a direcção do livro de condolências. Algumas pessoas saíam a enxugar lágrimas. A noite caiu e a Sala dos Azulejos fechou às 0h05. Por ela tinham passado pessoas que Soares conhecia, e muitas mais que sentiam conhecê-lo.

As imagens do adeus a Soares no Mosteiro dos Jerónimos

A despedida continuou na terça-feira, no Claustro do Mosteiro dos Jerónimos. Junto à urna, sentaram-se políticos, convidados e família. No segundo piso, entre os que estavam de pé, Gisela Rocha recordava Soares à SÁBADO "como um homem que desde muito novo quis fazer de Portugal um país melhor". Já Teresa Pádua prometia repetir todos os dias que a Soares, lhe "devemos a democracia".

Na cerimónia no Mosteiro, os filhos despediram-se do pai, e os convidados do estadista. O corpo de Soares saiu e percorreu várias ruas de Lisboa, rumo ao cemitério dos Prazeres, onde já o esperavam Maria Ferreira, Tomás Gorjão e Élia Matos, entre tantos outros. Os primeiros eram ex-alunos do Colégio Moderno e Maria destacou-o como "uma figura que transcende qualquer divisão política". Para Élia, Soares foi "o pai da democracia". "Trago aqui quatro rosinhas para ele. Era o símbolo do partido dele e ele gosta muito", disse à SÁBADO. Ao longe, afinavam-se os instrumentos da banda do Exército que tocou à chegada de Soares.

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No fim do dia, as televisões mostraram a chegada do primeiro chefe de Governo eleito em democracia aos Prazeres e ao jazigo da família Barroso Soares, mas não a multidão que quis deixar flores no jazigo e que a polícia mal conseguia controlar. Uma bebé destacava-se entre as pessoas, de chucha, aos ombros da mãe. As duas avançavam lentas de cabeça encostada. Quando chegaram ao jazigo, a mãe passou a máquina fotográfica ao estranho que caminhava ao seu lado. Da mão da bebé ficou a rosa vermelha, da mão do estranho ficaram bem enquadradas e com todos imortalizados no ecrã. 


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