Notícia

Operação Marquês

Primo de Sócrates é o único arguido que ainda não foi notificado

17.10.2017 18:51 por Cátia Andrea Costa
PGR diz que José Pinto de Sousa será notificado "através de carta rogatória dirigida às autoridades angolanas".
Foto: Lusa

O primo de José Sócrates, José Paulo Pinto de Sousa, é o único dos 28 arguidos da Operação Marquês que ainda não foi notificado da acusação do Ministério Público. À Lusa, fonte da Procuradoria-Geral da República explicou que Pinto de Sousa, que deu uma morada de Luanda para ser citado neste processo, "será notificado do despacho de acusação através de carta rogatória dirigida às autoridades angolanas".

O Ministério Público já notificou os restantes 27 arguidos do processo, 18 pessoas e nove empresas, acusados por um conjunto de 188 crimes económico-financeiros. No processo, José Paulo Pinto de Sousa, natural de Angola, está acusado de dois crimes de branqueamento de capitais.

Recorde-se que só após a notificação de todos os arguidos é que começa a contar o prazo para o pedido de abertura de instrução, uma fase processual facultativa dirigida por um juiz e na qual se decide se os arguidos vão a julgamento - e que acaba por atrasar o início do mesmo.

O ex-primeiro-ministro José Sócrates foi acusado de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada. A acusação do MP sustenta que Sócrates recebeu cerca de 34 milhões de euros, entre 2006 e 2015, a troco de favorecimentos a interesses do ex-banqueiro Ricardo Salgado no GES e na PT, bem como por garantir a concessão de financiamento da CGD ao empreendimento Vale do Lobo, no Algarve, e por favorecer negócios do Grupo Lena.

Caso algum dos arguidos peça a abertura de instrução, os seus advogados já disseram que pretendem afastar o juiz Carlos Alexandre, tendo já apresentado um recurso nesse sentido, que, contudo, ainda não chegou ao Tribunal da Relação de Lisboa.

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Além de José Sócrates estão acusados o empresário Carlos Santos Silva, amigo de longa data e alegado testa de ferro do antigo primeiro-ministro, o ex-presidente do BES Ricardo Salgado, os antigos administradores da PT Henrique Granadeiro e Zeinal Bava e o ex-ministro e antigo administrador da CGD Armando Vara, entre outros.


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