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Sindicato dos Jornalistas

Conselho Deontológico: Interrogatórios na TV são de "relevante interesse público"

24.04.2018 16:35 por Carolina Rodrigues com Diogo Barreto
A presidente, São José Almeida, defende a divulgação das imagens dos interrogatórios do processo Marquês e enfatiza o dever de informar.
Frame da reportagem emitida pela SIC
Foto: D.R.
Frame da reportagem emitida pela SIC
Foto: D.R.
Ex-mulher do empresário Carlos Santos
Foto: D.R.
José Sócrates, um dos arguidos da Operação Marquês
Foto: D.R.

Operação Marquês 1


A polémica começou com a divulgação das imagens dos interrogatórios a José Sócrates no âmbito do processo Marquês, primeiro pela SIC e depois pela CMTV. São José Almeida, presidente do Conselho Deontológico (CD) do Sindicato dos Jornalistas, conta ao jornal Público (em que também é jornalista) que as reportagens são "legítimas" e que estas constituem um assunto de "interesse público". 

Para a presidente do CD, o compromisso dos jornalistas é com o público e a sociedade, e que por isso estes "têm o dever de revelar informações verídicas como as que foram" mostradas. "No cumprimento da sua obrigação e compromisso com a sociedade o dever de informar sobrepõe-se sempre para os jornalistas aos direitos de imagem e até a leis como a do segredo de justiça, que nem é o caso nesta situação", afirmou. 

São José Almeida lembra também que já não é a primeira vez que uma situação deste género aconteceu, dando o exemplo da divulgação das audições durante o processo dos Vistos Gold pela CMTV.

Em contrapartida, a ministra da Justiça Francisca Van Dunem afirmou durante a inauguração da exposição comemorativa dos 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal que a divulgação dos interrogatórios "constitui crime"e que o Ministério Público tomará as iniciativas necessárias. Também a Procuradora-Geral da República Joana Marques Vidal mostrou-se "desagradada" com a situação.

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A Operação Marquês conta com 28 arguidos e quase duas centenas de crimes económico-financeiros. O antigo primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, foi constituído arguido de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada.

 


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