"Tudo aquilo que se come e de que se gosta é bom"

'Tudo aquilo que se come e de que se gosta é bom'
Maria Henrique Espada 21 de agosto de 2018

Política? Vamos antes falar de outra coisa. A SÁBADO pôs gente que pratica, praticou, comenta ou gosta de política à conversa sobre questões não menos sérias, mas mais agradáveis: do vício (in)conveniente à mania de fim-de-semana. Poiares Maduro e Francisco José Viegas sentam-se à mesa para falar de paladar.

Paixões Partilhadas: Poiares Maduro Francisco José Viegas
Da taberna aos três estrelas Michelin: eles gostam de tudo. Um fazia arroz de tomate aos cinco anos, o outro até no cinema já viu tudo o que é filme sobre comida. Poiares Maduro foi ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Francisco José Viegas, secretário de Estado da Cultura, ambos com Passos Coelho, mas em alturas diferentes. Trocaram telefones no final da refeição.

Gostam de comida e cozinha. Logo, são gourmets, gourmands, foodies, ou desprezam tudo isso? 
Miguel Poiares Maduro (MPM):
(risos) Houve um crítico gastronómico francês nos anos 50, Curnonsky, que fez uma divisão desse tipo. E identificou os gastrónomos com diferentes ideologias políticas. Havia a extrema-direita, que era a alta cozinha; a direita, que era a cozinha tradicional; o centro, que era a cozinha bistrot; e depois havia a esquerda, que era a cozinha simples enlatada. Hoje as linhas de fronteira ideológica são cada vez mais confusas, ou se calhar mais interessantes...

E até já há a esquerda-caviar.
MPM:
Este é um bom sítio para ilustrar isso: não se consegue dizer se isto é cozinha criativa, de autor, tradicional... O conceito base é o da taberna, pega em produtos que estavam quase desaparecidos, e dá-lhes um toque mais pessoal e criativo. Tenho grandes dificuldades em me identificar com qualquer categoria desse tipo. Gosto de experimentar coisas diferentes. O que me interessa é que valorize o produto e conte uma história à volta desse prato. 

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