Sistema prisional "não é digno" de um país como Portugal, acusa Vara

Lusa 14 de junho de 2019
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Ex-governante deixou críticas ao sistema judicial no fim da sua audição na comissão parlamentar de inquérito à gestão e recapitalização da CGD.

O ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD) Armando Vara terminou, esta sexta-feira, a sua audição no parlamento deixando críticas ao sistema prisional português, acusando-o de não contribuir para a reinserção, de ser "absurdo" e de não ser "digno".

Armando Vara
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"O sistema é de tal forma absurdo que merece um olhar atento dos órgãos de discussão, debate e decisão política, porque na verdade enche-se a boca de 'reinserção, reinserção, reinserção' e o que nós vemos é reinserção nenhuma", disse Armando Vara, que está atualmente preso em Évora.

Armando Vara - que se encontra a cumprir uma pena de cinco anos de prisão desde janeiro deste ano após condenação no processo Face Oculta pelo crime de tráfico de influência - foi nomeado administrador da CGD em 2006, para a equipa presidida por Carlos Santos Ferreira, tendo ambos depois transitado para o BCP em 2008.

No final da sua audição de cinco horas e meia na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da CGD, em Lisboa, Armando Vara relevou "as enormes dificuldades que vai sentir toda a gente" que partilha consigo a vida na prisão, pessoas que "merecem em muitos casos uma nova oportunidade na sua vida".

"Eu, hoje, não por boas razões, mas por más razões, tenho uma coisa que considero muito importante. É que conheço o sistema do ponto de vista do utilizador. E isso é dramático", partilhou Armando Vara.

Como conclusão, o ex-administrador considerou que o sistema prisional nacional "não é digno de um país como" Portugal, mas que com as suas críticas não estava a fazer nenhuma "acusação a nenhum tipo de responsável dos estabelecimentos prisionais".

Armando Vara, antigo ministro Adjunto e da Juventude e Desporto do segundo governo de António Guterres, é um dos 28 arguidos da Operação Marquês.

Dos arguidos deste processo, foram já ouvidos na comissão parlamentar de inquérito à CGD Joaquim Barroca (ex-administrador do grupo Lena) e Diogo Gaspar Ferreira (ex-administrador de Vale do Lobo).

Em 29 de maio foi dado a conhecer que o ex-primeiro-ministro José Sócrates, também arguido na Operação Marquês, responderá por escrito às questões dos deputados da comissão.

Na Operação Marquês estão também envolvidos Ricardo Salgado, Carlos Santos Silva, Henrique Granadeiro, Zeinal Bava, Bárbara Vara (filha de Armando Vara), Helder Bataglia, Rui Mão de Ferro e Gonçalo Ferreira, empresas do grupo Lena (Lena SGPS, LEC SGPS e LEC SA) e a sociedade Vale do Lobo Resort Turísticos de Luxo.
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