PJ e PJ Militar garantem manter boas relações

"Não há nem nunca houve qualquer picardia", garante Luís Neves. Capitão Paulo José Isabel nega "sentimento de guerra".

Luís Neves, o novo director-geral da Polícia Judiciária (PJ), esteve hoje presente nas Comemorações do 70.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos e dos 40 anos da ratificação de Portugal da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, na sede da PJ. No evento, esteve presente o capitão Paulo José Isabel, o novo director da Polícia Judiciária Militar (PJM). Ambos garantiram que os dois órgãos de polícia criminal mantêm boas relações. Neves referiu que a PJ continua a investigar o roubo e o reaparecimento das armas em Tancos, "mas a investigação passa-se no processo e não na comunicação social".

Neves negou ainda "qualquer picardia" com a PJM. "Não há nem nunca houve qualquer picardia, como sabem o novo director da PJM esteve aqui presente, respondeu amavelmente. Conforme dissemos não é um único facto que pode riscar as relações e interesses institucionais", reforçou. "Neste caso, quer um quer outro estamos de braços abertos para termos uma relação leal e franca com todas as instituições. A PJM conta connosco da mesma forma que contaremos com eles", concluiu o director da PJ.

Não querendo dar detalhes acerca dos avanços do inquérito, Neves disse que "a PJ em qualquer investigação que inicia tem que estar confiante que vai alcançar o seu objectivo".

O capitão Paulo José Isabel também falou com os jornalistas, sublinhando que não existe "esse sentimento de guerra". "Não sei o que se terá passado, mas serão situações conjunturais que nada têm que ver com o bom relacionamento que as instituições sempre têm tido e irão manter durante os próximos tempos", disse.

"Não acredito que a PJM esteja descredibilizada porque quem sabe o q a PJM faz, tem noção do seu trabalho e sabe o seu valor", defendeu. "Com o trabalho que tem vindo a fazer, vai manter essa linha de profissionalismo e mostrar o seu valor."

"Tudo faremos para que o relacionamento institucional com todos os órgãos de polícia criminal se mantenham neste patamar e melhorem onde houver condições para melhorar, para que situações como esta ou similares não aconteçam ente nós ou outros quaisquer", concluiu.

A investigação do Ministério Público sobre o aparecimento do material furtado, designada Operação Húbris, levou à detenção para interrogatório de militares da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da GNR.

Em 25 de Setembro, a Polícia Judiciária deteve o director e outros três responsáveis da PJM, um civil, e três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé.

Segundo o Ministério Público, em causa estão "factos susceptíveis de integrarem crimes de associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, receptação, detenção de arma proibida e tráfico de armas". 

Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.

O caso levou já à demissão do então ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes, em 12 de Outubro, invocando a necessidade de evitar que as Forças Armadas fossem prejudicadas pelo "ataque político" e as acusações de que afirmou estar a ser alvo.

O Chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, pediu também a resignação, apenas dois dias depois da tomada de posse do novo ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho.
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