Passos Coelho rejeitou carta de Salgado para beneficiar Rioforte

No dia 7 de abril de 2014, Salgado pediu ao então primeiro-ministro para reverter uma decisão do Banco de Portugal. Acusação conta o momento.

O Espírito Santo International (ESI) precisava de dinheiro para não incumprir o reembolso da sua dívida. De acordo com a acusação do caso BES, a que a SÁBADO teve acesso, Ricardo Salgado, José Manuel Espírito Santo e Manuel Fernando Espírito Santo tinham um plano: alimentar as necessidades de capital da ESI colocando a dívida da Rioforte (outra entidade da área não financeira do GES) junto dos clientes de retalho do Grupo BES. Problema: o Banco de Portugal não deixou — e tiveram de bater à porta do Governo.

"Insatisfeitos com as determinações do BdP, os arguidos decidiram lançar uma série de iniciativas junto de decisores políticos no sentido de obter uma mudança de posição do BdP de proibir a colocação de papel comercial da Rioforte em clientes de retalho do BES", lê-se na acusação. A decisão de interpelar o Governo surgiu após Salgado enviar uma carta ao BdP, sugerindo a reversão da proibição.

Entre a última semana do mês de março e a primeira de abril de 2014, Ricardo Salgado reuniu-se com vários titulares de cargos políticos, primeiro com o então vice-primeiro ministro Paulo Portas (29.03.2014); com o Presidente da República Aníbal Cavaco Silva (31.03.2014); com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho (07.04.2014) e, por fim, com a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. 

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