O testemunho que compromete o ex-embaixador espanhol em Lisboa

O testemunho que compromete o ex-embaixador espanhol em Lisboa
Diogo Barreto 20 de janeiro de 2020

Antes de se suicidar, um funcionário da petrolífera estatal venezuelana confessou que realizou uma série de pagamentos por serviços de assessoria que nunca aconteceram. "Fiz o que me mandou o ministro."

Juan Carlos Márquez, um dos principais dirigentes da petrolífera estatal venezuelana PDVSA até 2013, suicidou-se nos seus escritórios em Madrid, Espanha, a 21 de julho de 2019. 48 horas antes tinha confessado a um juiz que recebera ordens do então ministro do Petróleo do governo de Hugo Chávez para transferir cerca de 35 milhões de euros para variadas contas do antigo embaixador de Espanha em Lisboa Raúl Morodo e ao seu filho. Estes dois estão a ser investigados num caso de corrupção e branqueamento de capitais envolvendo esse mesmo dinheiro da república bolivariana. Márquez e outro venezuelano, Carlos Prada, estavam também a ser investigados.  

Segundo Márquez, Rafael Ramírez, o então ministro do Petróleo e presidente da PSDVA, escondeu o porquê de aqueles pagamentos terem de ser feitos e que tanto ele como outros trabalhadores se limitaram a acatar ordens. "O senhor Ramírez disse-me que eu me iria reunir com o senhor Alejo Morodo [filho do ex-ambaixador e casado com a filha de Dias Loureiro] e que ele ia prestar assessoria sobre temas europeus", revelou Márquez, acrescentando que desconhecia se esses serviços alguma vez haviam sido prestados. Terá sido para contas na Suíça e no Panamá tituladas por Alejo Morodo e alguns que lhe são próximos que os pagamentos começaram a ser feitos. 

A verdade é que não há registo de qualquer serviço de consultoria prestado por Morodo, tal como não foram encontrados registos de serviços de assessoria prestados por parte da empresa do antigo ministro socialista António Vitorino e da sua mulher. A empresa Emab Consultores LDA, propriedade do "político socialista português António Manuel Carvalho Ferreira e sua mulher Beatriz Demoy de Carneiro, que foi ministro da Presidência e da Defesa de Portugal, entre 1995 e 1997, e foi deputado na Assembleia da República até 2006", terá sido usada para branquear dinheiro vindo da Venezuela, refere a acusação à qual o El Mundo teve acesso.

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