O relatório final da equipa do Fisco sobre a Operação Marquês

São 19 volumes e 5.959 páginas com documentos, escutas e ligações entre suspeitos.

A investigação da Autoridade Tributária (AT) sustentou a acusação do Ministério Público na Operação Marquês. Se o despacho do Departamento Central de Investigação Penal ultrapassa as quatro mil páginas, a AT produziu um relatório final com mais de cinco mil. A SÁBADO teve acesso ao documento e divulga três casos: a conta vigiada de Sócrates; Salgado e o dinheiro de Macau; e os milhões do BES Angola.

Caso 1
A conta vigiada de Sócrates
"Como é que o senhor paga as suas despesas?" A pergunta do jornalista Vítor Gonçalves da RTP na última entrevista na estação pública indignou José Sócrates, que retorquiu com outra interrogação: "O que é que o senhor tem a ver com isso?" Certo é que, mesmo depois de ter sido detido, a única conta bancária do antigo primeiro-ministro continuou debaixo de apertada vigilância do inspector tributário Paulo Silva. Detido e preso preventivamente em Novembro de 2014, José Sócrates contraiu um empréstimo de 250 mil euros, em Janeiro de 2015, junto da Caixa Geral de Depósitos. O dinheiro praticamente desapareceu entre pagamentos de cartões de créditos (105 mil euros), uma transferência para a ex-mulher, Sofia Fava (100 mil euros) e honorários de advogados (10 mil euros).

Durante esse ano, José Sócrates, em prisão preventiva, registou entradas de quase 725 mil euros (muito por força da venda de um carro e do apartamento na Rua Braamcamp, em Lisboa). Mas entre pagamentos ao Estado (IVA e IRS, 30 mil e 27 mil euros, respectivamente), a liquidação do empréstimo de 250 mil euros junto da CGD, o pagamento de 40 mil euros a uma universidade norte -americana, onde estudava um dos filhos, mais as comissões para imobiliárias e rendas da nova casa, a conta do ex-primeiro-ministro voltou a tremer.

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