O fabuloso tesouro português com 500 anos que o Brasil deseja

O fabuloso tesouro português com 500 anos que o Brasil deseja
Sara Capelo 14 de fevereiro de 2020

São 14 folhas num papel de trapo, com fibras resistentes em linho. Na frente e verso de cada uma delas, Pero Vaz de Caminha fez um relato "rigoroso" em tinta ferrogálica do que encontrou no Novo Mundo


A porta da caixa-forte tem cerca de 50 centímetros de espessura. No seu interior estão algumas preciosidades. Uma delas está numa capilha, em cartolina alcalina, para proteger este que é um dos tesouros nacionais da Torre do Tombo e um Registo de Memória do Mundo da Unesco. São 14 folhas num papel de trapo, com fibras resistentes em linho. Na frente e verso de cada uma dessas folhas, está o registo, em tinta ferrogálica, da descoberta do Novo Mundo, feito a 1 de maio de 1500 por Pero Vaz de Caminha.  

Esta Carta de Pero Vaz de Caminha foi agora identificada à SÁBADO pelo Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram) como "um objeto de desejo" brasileiro. Caso o país decida avançar para um pedido de restituição histórica, disse fonte oficial deste organismo, esta é um exemplo de bem desejado. Todavia, a discussão sobre a restituição de bens culturais ainda é "embrionária" no Brasil (também o é em Portugal, como revelou a SÁBADO em exclusivo na edição desta semana). Não existe um "grupo institucionalizado" para a pensar, nem "consensos acerca de pedidos formais de repatriação", continuou o Ibram, num email.

Até hoje, repetem à SÁBADO tanto o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a Direção Geral do Património Cultural (DGPC), nenhum "tem registo" nesse sentido. De nenhum país. 

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