O dia-a-dia dos 59 presos mais perigosos em Portugal

Pedro Jorge Castro 24 de março de 2017

Mataram polícias, lideraram sequestros e planearam os maiores assaltos a bancos. Já tentaram fugir várias vezes e despejaram as suas fezes em cima de guardas prisionais. Passam 22 horas por dia isolados numa cela, andam sempre com dois guardas e são vigiados por dezenas de câmaras. Recorde esta reportagem especial sobre a cadeia de alta segurança de Monsanto, onde agora ficou preso o marroquino suspeito de terrorismo

É difícil a qualquer preso arranjar armas numa secção de segurança. Sempre que contactam outras pessoas, são obrigados a despir toda a roupa para serem revistados. Naquele dia, Marcus Fernandes não se atrapalhou. O luso-brasileiro condenado a 25 anos de cadeia pelo homicídio de dois polícias da Amadora chateou-se a sério com os guardas e teve um gesto que ninguém esquecerá tão cedo na cadeia do Linhó: encheu um pacote de leite com as suas fezes e derramou-as em cima de um enfermeiro e de dois guardas.

Incrivelmente, não foi caso único. Um inimigo de Marcus que também está em Monsanto encheu uma garrafa de urina e atirou-a a um guarda. E houve um preso, condenado por homicídio, que se recusou a vestir a farda, sem a qual não poderia sair da cela. Em protesto amontoou fezes e comida até chegar a meio metro de altura das grades. Usava dejectos também para tapar o visor da porta e evitar ser visto pelos guardas, que foram obrigados a usar máscaras, por razões de saúde. Aguentou 44 dias. Quando cedeu, foi obrigado a vestir a farda. E a limpar toda a porcaria.

O recurso a esta arma valeu a Marcus Fernandes um castigo de uma semana na cela disciplinar, a que os presos chamam "manco" ou "solitária". O espaço tem pouca luz: uma grade mantém o recluso a um metro da janela. O preso não pode levar nada do que tem na sua cela, nem livros, nem tabaco. Não tem televisão. E perde o direito a participar em todas as actividades da cadeia durante esse período.

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