"No SIS havia encomendas políticas"

'No SIS havia encomendas políticas'
António José Vilela 27 de janeiro de 2020

Ex-espião revela à SÁBADO alguns segredos da espionagem portuguesa, apontando várias ilegalidades. Carvalhão Gil já foi condenado a sete anos de prisão.

Frederico Manuel Carvalhão Gil tem 60 anos, é natural da aldeia de Souto (Covilhã) e foi recrutado em 1987 para o Serviço de Informações de Segurança (SIS). Caiu em desgraça, foi condenado na justiça e expulso depois de um longo processo disciplinar. Vai recorrer para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Esta é a primeira parte de uma grande entrevista com o ex-espião.

Depois de ter sido acusado de espionagem, corrupção passiva e violação de segredo de Estado, e condenado a sete anos e quatro meses de prisão pelos dois primeiros crimes pelos tribunais portugueses, o Frederico Carvalhão Gil continua a declarar-se inocente?
Absolutamente. Uma pessoa só é culpada quando comete algum crime. Como eu não cometi, sou inocente, porque a validade de uma decisão judicial tem de ter na base uma realidade concreta dentro de um quadro jurídico e não pode, de alguma forma, ser o resultado de fantasias que não estão provadas em sítio algum do meu processo. O sistema jurídico português provou que é um aparelho que não funciona, que não tem sistema de controlo. Se um grupo de três juízes age ilegalmente e funciona fora da lei…

Mas porque é que diz que o julgamento funcionou fora da lei?
Porque fui julgado à porta fechada e não se permitiu que se visse em tribunal o documento que é a base da minha condenação - um papel que tem três ou quatro nomes, tendo dois deles sido foram considerados segredo de Estado. Um é o do dr. Gil Vicente, diretor adjunto do SIS, o outro o do dr. Daniel Sanches, antigo diretor do SIS [1994/97]. Este último, basta ir à Internet, à Infopédia, e vem lá o percurso profissional e político dele. E o dr. Gil Vicente está farto de aparecer em todo o lado, até em notícias sobre um cavalo premiado num concurso qualquer que vinha na Net. Há também muitas notícias antigas que diziam que um ex-ministro e a ex-mulher o iam colocar num banco a trabalhar, além de que foi identificado em sites de uma faculdade [ISCSP] quando esteve para lá dar aulas, enfim.

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