Mayan corta o cabelo e alerta para dificuldades dos pequenos empresários

Lusa 14 de janeiro
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"Precisava de um corte e, como vão fechar o Tozé amanhã, tinha mesmo de ser hoje", afirmou o candidato liberal enquanto estava sentado na cadeira do barbeiro.

O candidato presidencial Tiago Mayan Gonçalves foi hoje cortar o cabelo a um barbeiro, no Porto, para alertar para as dificuldades decorrentes do encerramento desta atividade a partir de sexta-feira no âmbito do novo confinamento geral.

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O candidato presidencial Tiago Mayan Gonçalves foi hoje cortar o cabelo a um barbeiro, no Porto, para alertar para as dificuldades decorrentes do encerramento desta atividade a partir de sexta-feira no âmbito do novo confinamento geral.

Tozé Veloso, instalado na Foz do Douro, há 36 anos que corta o cabelo ao agora candidato presidencial e prepara-se para fechar a barbearia, pela segunda vez no espaço de um ano, devido ao confinamento imposto para travar a pandemia de covid-19.

"Precisava de um corte e, como vão fechar o Tozé amanhã (sexta-feira), tinha mesmo de ser hoje", afirmou o candidato liberal enquanto estava sentado na cadeira do barbeiro.

O tema de conversa foi, inevitavelmente, o encerramento desta atividade.

"Na altura [do primeiro confinamento] fechaste sem nada, nadinha né, zero. Pois, a perspetiva é igual agora, não é", questionou Tiago Mayan Gonçalves.

Tozé Veloso disse não saber se há ajudas disponíveis e apontou que, em março, foi para casa "sem nenhum tipo de apoio".

"A partir de amanhã [sexta-feira] dezenas de milhares de pequenos empresários como o Tozé, restaurantes, lojas, ginásios vão ter que fechar e ainda não têm resposta sobre que tipo de compensação, pela decisão unilateral do Governo de confinamento, eles terão", afirmou Tiago Mayan depois do "corte de cabelo presidencial".

Para o candidato, estas pessoas "são o tecido económico do país" e "são elas que trazem riqueza ao país", que "garantem o emprego" e que "pagam impostos".

"E quando continuamente o Governo exige que a fatura do confinamento seja paga pelos mesmos de sempre, por estes empresários e pelos cidadãos, algo está mal. E o Governo tem que, de uma vez por todas, assumir as responsabilidades das suas decisões e dar resposta a estes empresários", salientou.

Tozé Veloso disse que o primeiro confinamento foi difícil e acredita que, agora, será "ainda pior".

"Vamos ficar um mês sem fazer nada, não sei o que vai ser, se vamos ter alguma ajuda ou não, mas temos de fechar. Não sei se teremos direito a uma alguma coisa, somos pequenos, sou sozinho, por isso não sei", afirmou o barbeiro.

Após o primeiro confinamento, Tozé Veloso contou que "perdeu muitos clientes", que "se habituaram a cortar o cabelo em casa à máquina".

Agora, acrescentou, teme que outros fiquem também pelo caminho.

Nestes dias, o barbeiro tem recebido muitos clientes que estão a antecipar o corte de cabelo por causa do confinamento e disse que, para já, não "coloca a hipótese de fechar definitivamente".

Para Tiago Mayan, o apoio de que se tem "ouvido falar", o 'lay-off' é uma "medida de apoio de um contexto normal" e, neste "contexto de exceção" reclamou apoios idênticos aos já verificados em outros países, nomeadamente "extraordinários e de injeção imediata e direta e sem burocracias nos setores de atividade afetados".

O candidato afirmou que o seu barbeiro é um "homem resiliente" e, por isso, disse acreditar que "ele aguentará" e garantiu que, quando reabrir, estará cá para dar o seu apoio.

As novas medidas tomadas pelo Conselho de Ministros para controlar a pandemia de covid-19, entre as quais o dever de recolhimento domiciliário, entram em vigor às 00:00 de sexta-feira.

Segundo António Costa, as exceções que já existiram em março e abril manter-se-ão, "com uma exceção que se prende com o calendário democrático das eleições presidenciais do próximo dia 24 de janeiro e com a necessidade" de não "sacrificar a atual geração de estudantes", mantendo o "pleno funcionamento dos estabelecimentos educativos.

As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.979.596 mortos resultantes de mais de 92,3 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 8.236 pessoas dos 507.108 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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