Material tem sido utilizado para abastecer as lanchas rápidas que transportam a droga desde o chamado "navio-mãe" até á costa portuguesa.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) já apreendeu mais de 115 mil litros de combustível e 4.805 jerricans em operações de combate ao narcotráfico desde o início do ano, avançou a própria guarda num e-mail enviado à SÁBADO. Esta informação surge num momento em que tem sido apreendido cada vez mais este tipo de material utilizado para fins de tráfico de droga, e que serve para abastecer as narcolanchas que transportam droga até à costa portuguesa e que a partir daí segue para países europeus.
Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras da GNR de Olhão apreendeu cerca de 1500 quilos de haxixe e uma embarcaçãoDIREITOS RESERVADOS
A SÁBADO chegou mesmo a explicar no que consistem estes esquemas. Segundo a GNR, no caso da cocaína, esta é transportada via marítima desde a América do Sul e o haxixe "tem, em grande medida, origem no Norte de África".
A droga é depois colocada no chamado "navio-mãe": por norma "barcos antigos, com baixo valor comercial", que permanecem em alto-mar à espera de receber luz-verde para iniciar a descarga da droga, esclareceu a Polícia Judiciária à SÁBADO. Para tal, os traficantes recorrem às lanchas rápidas, capazes de atingir velocidades "brutais" e de escapar ao controlo das autoridades.
Neste âmbito, já foram apreendidas "49 viaturas, 36 embarcações, mais de 23 mil quilogramas de haxixe e cerca de 4.300 quilogramas de cocaína, além de outros bens associados ao apoio logístico destas atividades", de acordo com os dados mais recentes da GNR. A atuação da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras permitiu também "realizar mais de 90 abordagens com sucesso, deter 35 pessoas e identificar mais de 170 pessoas, algumas das quais constituídas arguidas".
No caso do combustível apreendido, este é "reutilizado pela GNR ou outras entidades de interesse público, como corpos de bombeiros". "Quando essas condições não possam ser asseguradas, poderá ser determinada a sua destruição, de acordo com os procedimentos legalmente aplicáveis."
Apesar deste não ser um "fenómeno novo", segundo a PJ, este tipo de esquemas tem registado um aumento. De acordo com a GNR, a "extensa dimensão da costa e dos espaços marítimos, conjugada com a elevada velocidade das embarcações utilizadas por estas redes, a crescente sofisticação das respetivas estruturas logísticas e permanente adaptação dos seus métodos de atuação, constitui um dos principais desafios enfrentados pela Guarda no combate a este fenómeno".
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