Dina, a mulher na sombra de André Ventura

Dina, a mulher na sombra de André Ventura
Alexandre R. Malhado 04 de dezembro de 2020

Conheceram-se depois de André Ventura sair da faculdade. Dina Nunes Ventura partilha com ele a fé católica. E nunca o escondeu: na noite das últimas eleições legislativas rezou ao lado do marido na igreja onde se casaram


Os delegados ao último congresso do Chega e os dirigentes do partido estavam incrédulos. Eram quase 14h de domingo e a lista à direção nacional apresentada por André Ventura tinha acabado de ser chumbada por 193 dos 278 delegados presentes na Quinta Nova do Degebe, em Évora. Nessa altura, poucos repararam na mulher esguia de vestido cor-de-rosa, que se levantou da mesa da direção, onde
se sentava ao lado de André Ventura, e atravessou o recinto para se dirigir a Rita Matias, um dos novos nomes indicados para a direção e filha de Manuel Matias, presidente do Partido Pró-Vida, que se fundiu com o Chega. Tratava-se de Dina Nunes Ventura, mulher do deputado único do Chega e uma das figuras mais presentes na vida do partido desde a sua fundação – apesar de não desempenhar nele qualquer papel oficial.

Naquele momento de grande tensão, Dina Nunes Ventura terá desempenhado um papel que lhe é reconhecido por várias figuras do partido. O de "figura maternal" e "dócil" que, apesar de se interessar e intervir na vida política do marido, assume a tarefa vista como fundamental de apaziguar ânimos e estabelecer pontes. "Ela quis felicitar a Rita e dar uma palavra de apoio" numa altura difícil, conta à SÁBADO o delegado Luís Montenegro, que presenciou a conversa. A jovem havia conquistado a direção na véspera com uma moção ao congresso onde fazia uma apologia a uma "IV República, assente nos valores da família, da vida e da dignidade humana" – e agora, estava a ver a nomeação boicotada pelo seu próprio partido.

Nessa noite, André Ventura deixou o congresso numa posição imprevista. No início de setembro tinha sido reeleito para a liderança do Chega com 99,1% dos votos. E menos de um mês depois não tinha conseguido reunir os dois terços dos delegados necessários para eleger a direção que ele próprio escolhera para conduzir o partido para os próximos três anos. E se a Dina Ventura não são conhecidas considerações políticas no interior do Chega, os militantes reconhecem-lhe funções como se dos órgãos sociais fizesse parte. Alguém que se faz presente na vida do partido desde a fundação. "[Ela tem] a responsabilidade de ser a âncora do líder", diz a atriz Maria Vieira à SÁBADO, que a foi abraçar mal a viu no recinto. "Disse-lhe para ter coragem porque, de todos nós, é ela que tem que ter o nosso maior apoio. É a ela que o André se vai encostar nas mágoas", acrescentou a mandatária presidencial. E aquela era uma noite de mágoa.

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