Covid-19: "Vacinação é o que está a correr melhor na pandemia"

Covid-19: 'Vacinação é o que está a correr melhor na pandemia'
Diogo Barreto 20 de janeiro
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A Bastonária dos Enfermeiros e o coordenador do plano de vacinação garantem que único fator de atraso na vacinação é a quebra de produção por parte da Pfizer.

A Comissão Europeia apelou esta terça-feira a que os Estados-membros vacinem 80% da população com mais de 80 anos até março. Apesar dos responsáveis afirmarem que Portugal está "no caminho certo", dizem que para que tal aconteça, será necessário reforçar a entrega de doses da vacina.

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"O único constrangimento para alcançar esse objetivo é a disponibilidade das vacinas", assegura Francisco Ramos, o coordenador da equipa que desenvolveu o plano de vacinação para Portugal, em declarações à SÁBADO. Segundo o responsável, caso haja a entrega de vacinas suficientes até março para inocular 80% da população mais idosa e os profissionais de saúde, esse objetivo será alcançado.

A mesma ideia é partilhada pela Bastonária da Ordem dos Enfermeiros que, apesar de lamentar "a brutalidade do número de casos diários", mostra-se satisfeita com o ritmo a que têm sido administradas as vacinas no país, uma tarefa que tem recaído, na sua maioria, nos ombros dos enfermeiros. "Se Bruxelas quer vacinar idosos até março, Bruxelas que adquira mais vacinas", refere a Bastonária, lembrando que os profissionais de saúde se têm "sujeitado ao que a União Europeia negociou".

Ana Rita Cavaco lamenta à SÁBADO o ritmo a que as vacinas têm chegado ao país. "Elas estão a chegar, mas não ao ritmo que gostaríamos", assegura, feliz por poder admitir que "a vacinação é o que está a correr melhor na pandemia".

A Bastonária assegura que não voltou a verificar-se uma rutura de stocks como aconteceu nos primeiros dias do ano, em que não houve vacinas disponíveis, e que os enfermeiros não têm tido problema em administrar as vacinas que têm à sua disponibilidade.

Entre as ações pedidas aos Estados-membros, o executivo comunitário destaca que, "até março de 2021, pelo menos 80% da população com uma idade superior a 80 anos, e 80% dos profissionais de saúde, devem ter sido vacinados em todos os Estados-membros".

Já no que se refere ao resto da população, a Comissão apela também a que "até ao verão de 2021, os Estados-membros já tenham vacinado um mínimo de 70% da população adulta".

Os surtos nos lares
A Bastonária dos Enfermeiros explica que infelizmente os elevados números de novos contágios que têm surgido nas últimas semanas dificultam logisticamente a administração da vacina.

"Já tivemos enfermeiros que iam vacinar a um lar e como nesse dia apareceu um surto na instituição, foram impedidos de prosseguir", já que o plano de vacinação refere que as vacinas não devem ser administradas em lares onde há surtos de covid-19 ativos. "Por isso temos de ir adaptando a forma como vamos vacinar", refere, acreditando que o facto de estarem a surgir estes surtos deve levar o Governo a não adiar uma segunda toma da vacina. "Se são 21 dias entre as tomas, temos de dar logo ao 21.º dia a segunda dose", defende Ana Rita Cavaco.

Esta segunda-feira Portugal recebeu uma nova remessa de vacinas contra  a covid-19 da Pfizer-BioNTech. Mas em vez das 80 mil doses que era suposto receber, recebeu apenas cerca de metade.

Em declarações ao jornal Público, esta terça-feira, Francisco Ramos admitiu que o país vai começar a gerir a reserva de doses a administrar consoante o número de vacinas que vai chegar. Segundo o coordenador, até agora guardava-se sempre metade das vacinas que chegavam. Agora vão passar a ser guardadas só as suficientes para garantir a segunda dose no prazo de 21 dias.

Até ao dia 15 de janeiro, sexta-feira passada, Portugal tinha administrado 106 mil doses de vacina. Entretanto não houve atualização do número de vacinas que foram administradas desde então.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.041.289 mortos resultantes de mais de 95,4 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 9.246 pessoas dos 566.958 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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