Covid-19: Sobe para dois número de mortes em lar da Maia

Lusa 25 de março de 2020
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Presidente da instituição revela que subiu para 10 o número de funcionários infetados e que está a aguardar resultados de testes feitos a 12 utentes, enquanto outros 12 permanecem em isolamento.

Uma utente de cerca de 90 morreu, esta quarta-feira, depois de testar positivo à covid-19, elevando para dois o número de mortes numa residência sénior da Maia onde permanecem em isolamento cerca de uma dezena de idosos.

Lar O Amanhã da Criança na Maia coronavirus
Lar O Amanhã da Criança na Maia coronavirus Direitos Reservados

Em declarações à agência Lusa, José Manuel Correia, presidente do O Amanhã da Criança, instituição que acolhe uma residência dedicada à Terceira Idade, confirmou uma segunda morte neste lar localizado em Pedrouços, concelho da Maia, e deixou um apelo às autoridades de saúde.

"Tudo era mais controlável se as entidades competentes respondessem a tempo e horas. Cada minuto que passa, neste tipo de patologias, é um risco, tudo piora. Não consigo perceber como se demora tanto a fazer testes e a dar resultados", referiu o dirigente do lar.

O responsável apontou ainda que subiu para 10 o número de funcionários infetados e que está a aguardar resultados de testes feitos a 12 utentes, enquanto outros 12 permanecem em isolamento.

"Neste momento está aqui uma equipa da ARS-Norte - julgo que é essa entidade porque liguei para tantas que chego a ter dúvidas - a fazer mais testes. Vamos testar mais 26 utentes e depois faltarão os restantes funcionários, cerca de 15", disse o presidente do O Amanhã da Criança.

Esta residência sénior está a ser apoiada atualmente por uma equipa de 15 funcionários, estando uma segunda equipa em casa a cumprir quarentena e que regressará ao lar para dentro de uma semana para substituir a atual, conforme descreveu José Manuel Correia.

Em causa está um município que tem estado no topo da tabela quanto ao número de casos da covid-19 confirmados a nível nacional.

Na terça-feira, em comunicado, a Câmara da Maia revelou que o presidente, António Silva Tiago, "evocou a possibilidade de ser decretado o estado de calamidade no concelho e a instituição de um cordão sanitário, mas o principal responsável da Administração [Regional] de Saúde do Norte revelou que a situação da Maia não é diferente da maioria dos concelhos do Norte e do país".

"Acresce que um cordão sanitário se justifica, do ponto de vista técnico, quando se está perante uma transmissão comunitária, não havendo dados, neste momento, que isso se verifique na Maia, onde estão identificadas as cadeias de transmissão do vírus", referiu a autarquia, revelando que Silva Tiago "exigiu explicações ao presidente da ARS-Norte, solicitando indicações quanto às medidas a tomar".

Hoje foi, entretanto, aberto um centro de rastreio móvel Covid-19 na Maia junto ao Estádio Municipal para testar "profissionais das unidades de saúde do concelho", passando depois a atender, "por agendamento", pessoas "sinalizadas" para o despiste, revelou fonte do município, conforme descreveu à Lusa fonte da autarquia.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou perto de 428.000 pessoas em todo o mundo, das quais mais de 19.000 morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, há 43 mortes, mais 10 do que na véspera (+30,3%), e 2.995 infeções confirmadas, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, que regista 633 novos casos em relação a terça-feira (+26,8%).

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