Covid-19: Médicos têm de escolher quem tratam. Quais são os critérios?

Rita Bertrand 09 de novembro de 2020

De acordo com o Conselho de Ética da Ordem dos Médicos, equipas de saúde têm de dar prioridade a quem tem mais hipóteses de sobreviver.

Face ao aumento galopante de novos casos de Covid-19 em Portugal, as equipas de saúde têm de escolher quem é tratado ou não, quando os recursos se revelarem insuficientes para dar resposta a todos os que deles necessitem. 

Para tal, o CNEDM (Conselho Nacional de Ética e Deontologia Médicas da Ordem dos Médicos) emitiu um parecer relativamente à situação, evocando a necessidade de recorrer à chamada "medicina de catástrofe" no quadro da pandemia, com a ressalva de que as equipas poderão recusar o seu envolvimento na "linha da frente" sempre que se verifique "carência de equipamento de proteção individual adequado".

Assim, "em situações limite de descontrolo da progressão da pandemia, poderemos assistir em Portugal à limitação dos recursos existentes, nomeadamente ventilação assistida, sendo necessário estabelecer triagem dos doentes que terão acesso a esses recursos. Nesta situação "os médicos necessitam de tomar a difícil decisão de condicionar esse acesso, maximizando os seus benefícios. Esta decisão deverá ter em consideração critérios clínicos e de avaliação de riscos incluindo os da própria medicina intensiva, bem como a maior probabilidade de eficácia do tratamento e sobrevida esperada (idade, comorbilidades, etc.), com proporcionalidade e justiça distributiva".

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